sexta-feira, 4 de março de 2016

Delações reais há contra Aécio, que pede o golpe

O Brasil vive hoje uma realidade política surreal, em que o líder da oposição, senador Aécio Neves (PSDB-MG), citado em três delações verdadeiras da Operação Lava Jato, prega a renúncia da presidente Dilma Rousseff, porque ela teria sido mencionada numa delação inexistente, negada pelo "delator" e por seus advogados; Aécio foi citado como pai de um mensalão em Furnas pelo doleiro Alberto Youssef, como receptador de um terço da propina da mesma estatal pelo lobista Fernando Moura e como "o mais chato" cobrador de recursos pelo entregador Ceará; as delações contra Aécio estão filmadas e gravadas (assista); a "delação" contra Dilma é um pedaço de papel sem nenhuma assinatura, mas ainda assim ele quer renúncia; seguindo a lógica do herdeiro de Tancredo, será que ele não deveria renunciar primeiro?

Minas 247 – Na tarde de ontem, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reuniu a oposição e decidiu que a "delação" do senador Delcídio Amaral (PT-MS), negada pelo suposto delator e por seus advogados, será anexada ao pedido de impeachment que tramita na Câmara dos Deputados e à ação no Tribunal Superior Eleitoral que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.

Em seguida, Aécio foi ao plenário e pediu a renúncia da presidente Dilma Rousseff, em um "gesto de grandeza". O senador mineiro, portanto, defende que ela abandone o cargo para o qual foi eleita a partir de uma delação que não se materializou.

No entanto, se essa lógica fosse aceitável, Aécio deveria renunciar primeiro. Afinal, existem três – não apenas uma, mas TRÊS – delações reais, filmadas e gravadas, contra ele.

Na primeira, o doleiro Alberto Youssef aponta Aécio como o mentor intelectual de um mensalão em Furnas, que distribuía mesadas de US$ 100 mil a parlamentares – entre eles, o finado José Janene, que foi sócio de Youssef.