sábado, 16 de abril de 2016

Colunista de O Globo contraria patrões: "É golpe, sim!"


Bloch diz que independente do mérito das “pedaladas fiscais”, a crise econômica é a grande responsável pelo desejo de retirar Dilma do poder. Entretanto, a responsabilidade pela crise é em grande parte da oposição.
“Não se analisa, por exemplo, o quanto a campanha política para derrubar Dilma, iniciada logo após a sua vitória apertadíssima nas últimas eleições, e a desfaçatez do Congresso Nacional estão, também, na origem da crise e, principalmente, de sua sequência e seu progressivo agravamento. Ora, desde o início do ano só se fala em impeachment, sem a honra em questão”, afirma.
“Não há governo, não há Congresso, não há Senado. Só há Cunha. E o STF, como uma quitanda ou mãe togada cada vez mais poderosa a puxar as orelhas da turma no balcão. Na espuma desse espetáculo dantesco é que se trava o golpe. Não exatamente contra Dilma ou o PT. Mas contra o Brasil”, diz Arnaldo Bloch.
Segundo ele, 2018 é a hora do juízo para a administração da presidente, não agora.
“O Congresso Nacional poderia estar tratando das matérias de interesse nacional, debatendo, votando. Fernando Henrique deveria ter sido o primeiro a se posicionar contra este impeachment, lá atrás, quando as palavras das grandes referências nacionais ainda valiam alguma coisa. Pois, agora, pouco importa o que se diz, a não ser entre quatro paredes, ou com o microfone desligado. Às vezes, uma carta, como a de Temer, lançando-se, com muxoxos, à presidência. As rédeas não estão mais com Dilma. Nem com o parlamento. O cavalo está solto”, afirma.
Confira também pronunciamento de Dilma: