quinta-feira, 7 de abril de 2016

Golpe em Dilma não resolverá problemas e Brasil terá década perdida, diz economista dos EUA


NOVA YORK - O professor emérito de economia da Universidade de Berkeley e de relações internacionais da Universidade de Columbia, Albert Fishlow, afirmou em apresentação na noite desta quarta-feira, 6, que tem havido uma ilusão no Brasil de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff pode ser a solução para os problemas do País e de que o judiciário pode resolver todas as questões. “O impeachment não vai resolver virtualmente nada”, disse o economista. Para ele, o Brasil caminha para uma nova década perdida. 

Fishlow avalia que a resolução dos problemas econômicos do País demanda tempo e que um novo presidente não teria tempo hábil para conseguir implementar muita coisa até as eleições de 2018. Para o economista, uma das principais necessidades do Brasil é reduzir o tamanho do Estado. O Brasil terá nova década perdida, disse ele, ressaltando que o País caminha para ter renda per capta em 2020 em patamar semelhante ao que tinha em 2010.

“As pessoas no Brasil querem soluções rápidas”, disse Fishlow, ao falar da crise atual. O economista se disse surpreso que a cada dia se fala em uma nova solução para os problemas brasileiros, incluindo a possibilidade de novas eleições e o impeachment do vice-presidente, Michel Temer. “As pessoas não sabem o que fazer para lidar com a crise atual e por não saber, estão tentando fazer de tudo.”

A realidade, afirmou Fishlow, é que a saída de Dilma pode não levar a um cenário muito diferente do atual, sobretudo na economia. “A natureza dos problemas que o país está enfrentando vai permanecer lá.” Ao falar da crise disse que os brasileiros passaram a desejar que o judiciário resolva todos os problemas do País.

Fishlow ressaltou ainda que o Congresso, com vários parlamentares envolvidos em corrupção e outras irregularidades perdeu a credibilidade. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse ele, é acusado de vários crimes e tem um passado de crimes e, por isso, precisa cair. “A delação de Delcídio do Amaral envolveu todo mundo”, disse o professor.

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