quarta-feira, 18 de maio de 2016

Cinco dias, apenas. E o governo Temer está velho de 100 anos



POR FERNANDO BRITO

Depois do 17 de abril, dia do circo da Câmara de Cunha, as manifestações em favor de Dilma, sem dúvida, enfraqueceram.

Natural.

Perdia-se ali, de forma impensável e deprimente, a melhor chance de barrar a conspiração golpista.

O resto, embora trágico, era previsível.

Mas depois do 12 de maio, quando o Senado confirmou o afastamento da presidente legítima, elas se reacenderam e não vão dar um segundo de trégua ao governo de usurpação.

E que não se “culpe” o PT por isso, porque o partido e seus dirigentes estão atônitos e prometendo, até, uma “autocrítica” e, claro, uma crítica a Dilma.

Ora, embora não faltem motivos para autocríticas do PT ou de críticas à Dilma Rouseff, é de uma tolice atroz.

A mobilização das ruas não é do PT, embora tenha muitos petistas.

É composta de muita gente que tem mais críticas ao PT e a Dilma do que qualquer nota da direção do PT possa emitir..

Esta cheia de garotos e garotas que andavam de fraldas quando levamos o Lula lá.

Será que não percebem que o que se levanta é uma indignação contra o Brasil antigo, o dos conchavos políticos, o da hipocrisia, o dos vícios, que são piores que os erros?

Ou que não vêem que se pressente o retrocesso, além do político, econômico e social que se prepara, e que se expressa nosdisse-mas-não-disse dos ministros do golpe, todos excitados em antecipar que vieram mesmo para fazer o que vieram para fazer?

Notei, nas manifestações a que fui, o corte geracional.

Ou os já velhos, como eu, passados dos 50 ou quase.

Ou a gurizada, por volte dos 20.

Faltava ali uma geração.

Havia a que lembrava da falta de liberdade. Havia a que sentia. porque a vivia.

Que encaram, respectivamente, o Governo Temer como uma volta ao passado que nos horroriza e como uma negação do ambiente multissocial e multirracial que, desejado por nós, é vivido por eles, ainda que não por todos.

Ainda falta, porém.

O governo Temer está se desfazendo antes mesmo de se fazer e isso amplia as pressões para que se faça logo o que se pensava fazer mais lentamente.

Porque envelhece de forma acelerada quando exposto à sua necessidade de dar um rumo ao país.

Precisa fazer o mal e não se sente com força para fazê-lo, não importa que tenha, no parlamento, maioria para isso.

Não obstante, fará.

Nos anos 60, a UDN precisou do Exército para o golpe e não chegou ao poder.

Mais de 50 anos, o PSDB precisou do PMDB e da escroqueria de Cunha para derrubar um governo trabalhista fraco e vacilante, mas também não chegou ao poder.

O exército do golpe, é o Poder Judiciário em franca desmoralização e treme, como Temer, diante da obrigação de fazer, como ao usurpador cabe fazer o arrocho do trabalhador, o que lhe compete: prender e condenar Lula.

É irônico que um governo entreguista, que veio para liquidar as veleidades brasileiras de querer ser um grande país, esteja completamente aturdido com a repercussão no exterior, onde não funciona o monopólio de mídia que o PT não teve coragem de desmontar aqui dentro.

Não há possibilidade de “dar certo”, no médio prazo, de sobrevivência de um governo ilegítimo no Brasil, nem mesmo se ele tiver 512 dos 513 votos da Câmara dos Deputados.

Isso não quer dizer que vá cair, porque os interesses que o sustentam são imensos.

Mas quer dizer, ao menos, que não terá um país calado.

E quando um país começa a falar, não há interesse que o silencie.

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