quarta-feira, 11 de maio de 2016

Constituintes de 1988 criticam processo de impeachment contra Dilma Rousseff


Os deputados constituintes de 1988 Nelton Friedrich e Haroldo Sabóia fizeram duras críticas ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, nesta terça-feira (10), na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. Eles ressaltaram que um golpe de Estado nem sempre se faz com procedimentos bélicos e que, portanto, a democracia brasileira está em risco.

"A democracia está em perigo, mas um perigo sofisticado, que não se traduz em armas e quartéis. Estão se apropriando de um discurso democrático para fazer, por exemplo, a retirada de direitos sociais", afirmou Friedrich, que ajudou a elaborar a Constituição de 88 como representante do PMDB do Paraná.

Haroldo Sabóia, por sua vez, chamou a atenção para a grande concentração de poder nos meios de comunicação e criticou a atuação da mídia no processo contra Dilma. "Nunca vivemos um poder de imprensa tão monolítico como hoje. No Estado Novo e também na ditadura, havia uma uma rede de jornais clandestinos e até resistência dentro da grande mídia. Hoje o noticiário é o mesmo. É um horror. É uma violência nunca vista", lamentou o ex-deputado maranhense, que também foi constituinte pelo PMDB.

Psicologia

A comissão recebeu da psicóloga Luíza Pereira, representante do Coletivo Iara Iavelberg, uma carta aberta condenando o possível impedimento de Dilma. O documento será encaminhado a todos os senadores pelo presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS).

Segundo a comunidade formada por psicólogos e estudantes de Psicologia, numa democracia, insatisfações com o projeto político-econômico de um governo não justificam sua deposição. E a presidente, lembraram eles na carta, foi eleita com 54 milhões de votos legítimos.

Sindicalistas
Após ouvir os constituintes e Luíza Pereira, Paulo Paim abriu a segunda reunião do dia. Desta vez, para debater com sindicalistas o tema democracia e movimento sindical.

As audiências desta terça-feira tiveram caráter interativo e marcaram o fim do ciclo de debates sobre democracia e direitos humanos realizado pela comissão. Paim lembrou que, embora o ciclo estivesse encerrado, o assunto continuará em debate:

- Ninguém tem dúvida de que a admissibilidade [do impeachment] vai passar, mas o processo continua nos próximos meses com a avaliação do mérito, quando serão necessários votos de dois terços dos senadores - acrescentou.


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