sexta-feira, 13 de maio de 2016

Envolvimento em corrupção de Blairo Maggi, novo ministro de Temer


A sina do poder
Ele é um dos maiores produtores de soja do mundo, empresário bem-sucedido, bilionário. Mas o senador Blairo Maggi também é investigado por envolvimento em lavagem de dinheiro e corrupção


Hugo Marques

O agrônomo Blairo Maggi sempre teve seu nome associado ao sucesso. Sua empresa é uma das maiores exportadoras de soja do mundo e fatura 5 bilhões de dólares por ano. Bem-sucedido no campo, ele expandiu seus negócios para as áreas de logística, transporte e energia elétrica. Há cinco anos, a revista Forbes o elegeu como um dos líderes mais influentes do mundo. Não é incomum que personagens com uma biografia assim acabem seduzidos pelos encantos da política. Em 2002, motivado por uma promessa religiosa, o empresário se candidatou ao governo de Mato Grosso, a base territorial de seus negócios. Elegeu-se com facilidade, reelegeu-se em 2006 e, em 2010, conquistou um mandato de senador pelo PR. O congressista sempre foi próximo ao governo e esteve no topo das listas de ministeriáveis. Alguns colegas do seu partido tinham até planos mais ambiciosos para ele: sonhavam vê-lo como candidato à Presidência da República. A carreira de Blairo Maggi, no entanto, chegou ao fim.

Já considerou abandonar a política. Motivo: constrangimento. O empresário admirado deu lugar a um político investigado por envolvimento em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O senador Blairo Maggi está no centro de uma investigação federal sobre desvios de recursos públicos em Mato Grosso. Na última terça-feira, por ordem da Justiça, a Polícia Federal realizou uma operação que resultou na prisão de ninguém menos que o atual governador do estado, Silval Barbosa, e seu ex-secretário da Fazenda. Eles são acusados de montar um esquema clandestino de arrecadação para campanhas políticas que funcionava assim: empresários amigos contraíam empréstimos bancários e apresentavam como garantia de pagamento da dívida precatórios ou créditos de contratos com o governo do estado — mas tudo não passava de simulação. O dinheiro sacado no banco era repassado integralmente a alguns representantes do grupo político de Blairo Maggi e Silvai Barbosa. No fim, o governo de Mato Grosso é que acabava quitando a dívida com os bancos. A polícia descobriu que despesas de alimentação, pesquisas eleitorais e transporte de eleitores, entre outros itens de campanha, foram integralmente bancados com o dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes mato-grossenses durante mais de quatro anos.

Além do governador Silvai Barbosa, que acabou preso por porte de arma com registro vencido durante buscas em sua residência, o senador Blairo Maggi é citado como um dos beneficiários desse esquema fraudulento. Ele é apontado como destinatário de pelo menos dois empréstimos simulados em 2009, um deles no valor de 388 000 reais. Segundo um relatório assinado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, os empréstimos revelam “indícios de que pelo menos parte dos recursos se destinava a Blairo Maggi e de que essa parte se destinava a finalidades espúrias no âmbito da política”. Contra o senador, também consta o depoimento de um empresário que fez acordo de delação premiada com a Justiça. Ele contou à polícia que Maggi, além de articular com os bancos a operação, usou 4 milhões de reais para comprar uma vaga no Tribunal de Contas de Mato Grosso. Nas buscas feitas, os investigadores apreenderam anotações que também sugerem que a maior parte dos recursos arrecadados ilegalmente pelo grupo beneficiou o então governador Blairo Maggi e seu sucessor, Silval Barbosa.


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