quinta-feira, 5 de maio de 2016

'Mas você já viu CPI dar em alguma coisa?', diz Capez, investigado na 'máfia da merenda'

Em meio à polêmica envolvendo a suspeita de superfaturamento na compra de merenda escolar para o ensino público no Estado de São Paulo, estudantes da rede estadual paulista voltaram a ocupar escolas – desta vez, unidades técnicas, como o Centro Paula Souza, no centro da capital – para pressionar o governo pela investigação do esquema e reivindicar distribuição de merenda em toda a rede pública do governo paulista.
Mas, desde terça-feira, a estratégia dos estudantes se estendeu para a Assembleia Legislativa do Estado (Alesp). Um grupo de estudantes entrou no prédio para protestar contra os deputados e pedir a abertura da chamada "CPI da merenda" - e, desde então, não saíram de lá.
O presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), um dos principais alvos de críticas dos estudantes - e citado na investigação da "máfia da merenda" -, disse à BBC Brasil não acreditar que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seria o caminho certo para investigar as supostas irregularidades na compra de merendas.
"Você já viu CPI dar em alguma coisa? CPI apurar alguma coisa? Fizemos uma CPI aqui dos pedágios, não deu nada", disse ele à BBC Brasil.
Ele disse ainda que a ação dos secundaristas seria uma tentativa de fazer "uma pirotecnia política" como reação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O escândalo da merenda é investigado na Operação Alba Branca do Ministério Público de São Paulo e diz respeito a uma possível fraude na compra de alimentos para as merendas escolares no Estado. Há suspeitas sobre contratos supostamente superfaturados com creches e escolas públicas de mais de 20 cidades paulistas desde 2014.
A proposta de CPI existe na Casa desde janeiro, mas ainda não foi levada adiante. As reuniões da Comissão de Educação e Cultura que discutiriam uma possível abertura da comissão não conseguiam quórum o suficiente, e o assunto acabava não indo para a pauta. Atualmente, a CPI tem 25 assinaturas a seu favor, faltando sete para dar prosseguimento ao processo.

Entrevista completa aqui.

Confira também, STF além de afastar Cunha deveria anular processo de impeachment