quinta-feira, 12 de maio de 2016

Ministério de Temer deve ser o primeiro sem mulheres desde Geisel


Se confirmar os nomes cotados para ministros em seu governo, Michel Temer (PMDB) será o primeiro presidente desde Ernesto Geisel (1974-1979) a não ter mulheres na Esplanada.

Com a composição ministerial com que deve assumir a Presidência interinamente, Temer quebra a tradição iniciada pelo general João Figueiredo (1979-85), que, na ditadura militar, indicou a primeira ministra do Brasil. Esther de Figueiredo Ferraz (1915-2008) comandou a pasta de Educação e Cultura entre 1982 e 1985

Depois de Figueiredo, todos os presidentes nomearam mulheres. José Sarney (1985-1990) indicou uma. Fernando Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), duas cada um.

Nos governos petistas, a participação feminina foi mais abundante. Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) teve 11 ministras (duas delas interinas) e Dilma Rousseff, 15 (sendo três interinas).

Nos dois casos, mulheres desempenharam funções centrais. Além de Dilma, que foi ministra da Casa Civil de Lula, Erenice Guerra, Gleisi Hoffmann e Miriam Belchior compuseram o núcleo duro.

Temer decepcionou algumas feministas que esperavam atitude mais inclusiva devido a seu histórico. Há 30 anos, então à frente da Secretaria da Segurança Pública de SP, o peemedebista criou a primeira delegacia de defesa da mulher do país.

Sempre imaginei que, em um governo federal, ele iria avançar nessa questão, disse a socióloga feminista Eva Blay, professora aposentada da USP.

A segunda mulher nomeada ministra no Brasil, Dorothea Werneck, afirmou que espera o dia em que o gênero não faça diferença nas indicações.

Ter mulher por ter mulher não é argumento forte. Tem que ser mulher competente, disse ela, que comandou o Trabalho sob Sarney e a Indústria e Comércio sob FHC.

Manoela Miklos, afirmou que a falta de diversidade nos quadros do ministério de Temer é perversa.

[A ausência de mulheres] Tem uma dimensão simbólica, mas também diz muito do que podem ser as políticas públicas capitaneadas por um grupo tão pouco diverso.

Confira também, discurso histórico de Requião na votação do impeachment: