quinta-feira, 19 de maio de 2016

Não agrada nem mercado: Dólar dispara 5% desde que Temer assumiu


SÃO PAULO - Nas últimas semanas o mercado ficou eufórico com a possibilidade de Dilma Rousseff ser afastada do cargo, levando a Bolsa para fortes altas e o dólar a recuar para níveis abaixo de R$ 3,50. Porém, confirmada a saída - por enquanto temporária - da petista, o dólar não parou de subir e nesta quinta-feira (19) já retoma os R$ 3,60.

Para muitos, esta seria mais uma clara confirmação da velha máxima do mercado: "sobe no boato, cai no fato". Mas, no caso do mercado cambial, há muito mais por trás desta recuperação dos preços. Em geral, são quatro fatores pressionando a moeda para alta, que não é exclusiva ao Brasil.

Segundo o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o momento não é bom para compras, sendo este um cenário mais positivo para que os investidores realizem vendas de forma gradual, já que o noticiário não está nada bom para que o dólar recue nos próximos dias.

Para se ter uma ideia, o dólar atingiu seu fundo no último dia 11 de maio - quando ocorreu a votação do impeachment no Senado -, ao fechar cotado em R$ 3,4456 na venda. Desde então a moeda disparou 4,88% até a máxima atingida na sessão de hoje, quando a cotação bateu R$ 3,6137.

Os 4 fatores que estão fazendo o dólar disparar:
1) Falta de medidas
O mercado tanto esperou a troca de governo, mas a simples saída de Dilma e chegada de Michel Temer não é suficiente para que os investidores comprem dólar. Isso porque, agora que temos um novo presidente, a expectativa é sobre quais serão as medidas adotadas por sua equipe econômica, liderada por Henrique Meirelles.

"Mercado segue muito desconfortável com a falta de medidas pelo novo governo. Mas, é preciso ver com calma as contas e depois propor", diz Júnior lembrando que neste primeiro momento, o governo está estudando e contabilizando os problemas que herdou de Dilma.

"Rombo fiscal será muito maior que o previsto e, em grande parte, devido a penúria dos Estados. Além disto, sem surpresas, as centrais sindicais se colocam contra a reforma da previdência. Assim, as notícias internas, neste momento, não ajudam na continuação do movimento da queda do dólar", completa ele.

2) Banco Central de volta
Apesar de uma participação bem mais fraca do que nas semanas anteriores, desde a última quinta-feira o Banco Central voltou a realizar alguns leilões de swap cambial reverso, o que, de forma pontual, tem segurado as cotações em dias que se mostram mais propícios para queda do dólar.

Com isso, segue o cenário de que, com a moeda recuando para níveis abaixo de R$ 3,50, a autoridade monetária deve voltar a intervir, evitando que a divisa se distancie deste patamar.

3) Alta de juros nos Estados Unidos
Talvez o fator mais importante, e que tem feito o dólar disparar no mundo todo desde quarta-feira (18), é a expectativa de que os Estados Unidos irão elevar os juros logo (enquanto os especialistas esperavam que isso ocorresse apenas em dezembro). A projeção foi reforçada com a divulgação da ata da última reunião do Fomc, e que deixou na mesa uma elevação das taxas em junho.

O mercado aumentou a possibilidade de alta na próxima reunião de 12% no início da semana para atuais 32% após a publicação da ata. No documento, os líderes da autoridade monetária destacaram que se o país mostrar uma recuperação consistente até lá, a chance é grande de que ocorra a alta de juros.

Apesar disso, alguns especialistas ainda acreditam que a chance maior de uma elevação das taxas é em dezembro, mas não há como descartar altas no meio do caminho. "Por enquanto, seguimos com a ideia que o Fed não subirá os juros em junho e, se seguir o padrão, não irá alterar a taxa de juros no período de eleição. Isto não é certeza, é apenas observação do padrão no passado", afirma Júnior.

4) Realização
Diante da falta de medidas por parte do novo governo e, principalmente, do aumento da expectativa de alta de juros nos EUA, os investidores aproveitam para realizarem os lucros após as quedas pré-impeachment. Combinado com a projeção de que não devemos ter notícias que ajudem a derrubar os preços no curto prazo, o mercado vê mais vendas, e uma consequente alta do dólar.

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