segunda-feira, 2 de maio de 2016

Os impactos positivos do Bolsa Família

É impressionante a baixeza do debate político atual. Se de um lado é benéfico que mais e mais pessoas estejam discutindo política e os rumos do país, é lamentável que a guerra de posições que estamos passando sacrifique a verdade. A superficialidade que prevalece nos textos das redes sociais (seja nos comentários horrorosos que o pessoal posta nos sites, seja nos “memes” de facebook) sinaliza para uma situação favorável para que “cérebros de toucinhos” assumam o comando, como disse em post passado, fazendo uma analogia ao texto 18 Brumario de Luis Bonaparte.
Uma coisa que muitos destes comentários raivosos têm falado é contra o “Bolsa Família”. Nas críticas, o preconceito contra as famílias pobres é nítido. Vão desde a falsa ideia de que este benefício desestimula as pessoas a trabalhar (como se fosse bom viver com R$80,00) ou que estimula as famílias a terem mais filhos para aumentar a renda.
Os dados desmentem esta última afirmação. Os dados do PNAD do IBGE mostram que as famílias que recebem o benefício tiveram menos filhos que a média brasileira entre os anos de 2003 e 2013. Enquanto o número de crianças de até 14 anos caiu 10,7% no país, entre os 20% mais pobres do País, porcentagem que coincide com o público beneficiário do programa, a queda foi ainda maior: 15,7%. A mudança desta situação se deve ao acesso a mais informações, inclusive de métodos contraceptivos, ao maior acesso aos sistemas de saúde públicos e até aumento da escolaridade das mulheres mais jovens.
A redução ou fim deste benefício trará impactos negativos profundos na sociedade brasileira. E sempre é bom lembrar que mais de 75% das famílias beneficiadas pelos programas de transferência de renda são chefiadas por mulheres negras.

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