quarta-feira, 29 de junho de 2016

A meta da loucura e os juros que não vão cair, por André Araújo


Por André Araújo

A META DA LOUCURA - OS JUROS NÃO VÃO CAIR

Quando se espera o pior, a realidade pode ser ainda pior.

As informações e declarações que vem hoje do Banco Central e seus arautos na midia são de que só se atingirá o fatídico "centro da meta" em 2017 e que, portanto, sem chance de que os juros básicos caiam. Bingo. Cantamos essa bola aqui em dois artigos, o primeiro no dia da posse de Goldfajn. Essa equipe das trevas das sombras escuras da economia, com uma receita do tempo da Dona Benta, não tem capacidade, criatividade, competência ou imaginação para algo minimamente diferente, a fórmula deles é uma só: JUROS ALTOS CONTRAEM A DEMANDA E VALORIZAM O REAL E COM ISSO A INFALAÇÃO BAIXA por efeito aritmético.

É de uma indigência unica. Mas Sardenberg, no alto de sua genialidade, deu uma porta de saída: "Mas se houve forte redução dos gastos do Governo aí poderá haver uma chance, quem sabe, dos juros caírem" Ora, ora, Sardô, como é que os gastos do Governo vão cair se o MAIOR de todos os gastos são os juros pagos pelo Tesouro sobre uma divida pública que cresce mês a mês pelo efeito dos juros compostos? A carga de juros do Tesouro é a MAIOR DESPESA DO ORÇAMENTO, 600 BILHÕES de Reais, com a Selic no alto a conta dos juros pagos pelo Tesouro jamais irá cair, as demais despesas são 70 milhões de cheques por mês, gastos que dificilmente qualquer governo pode reduzir, são incomprimíveis porque depois dos juros vem salários do funcionalismo, agora aumentados, e transferências de renda nos programas sociais e aposentadoria e pensões, há muito pouco a cortar, mesmo desvinculando educação e saúde.

Então o Plano Meirelles-Goldfajn consiste EXCLUSIVAMENTE em manter os juros onde estão, 14,25%, pelo tempo que demorar a inflação chegar no diabólico CENTRO DA META, o que fica para quando Deus quiser e, para tentar fazer, vão destruir o que resta da economia produtiva. Gente medíocre para uma situação dramática e rara no mundo, dois anos corridos de recessão e desemprego crescente, a única preocupação dessa ""equipe"" é atingir o centro da meta e depois, o que vão fazer com os escombros da economia? Atingiu o centro da meta e daí, qual é o segundo capítulo do Plano? O segundo capítulo, segundo Sardenberg, é fazer baixar a meta, invés de 4,5%, vai para 4,2% em 2018, depois vão tentar chegar a 0%, mas aí o Brasil já não existirá mais, nem o Japão delirou tanto e os EUA então dão mais importância ao emprego do que a inflação, por isso mantém juros no chão.

Não tem outro objetivo nem para fins políticos, nem falam em crescimento, nem tocam no assunto desemprego, acham que baixando a inflação vão chover investimentos, algo que é mero "wishful thinking", não há indicativo algum que isso faça algum sentido na realidade brasileira de hoje, onde só para sair da crise política vai precisar de no mínimo três anos e, enquanto isso, não virão investimentos produtivos mesmo porque a primeira coisa para isso acontecer é haver mercado, o que não se cria porque atingiu o "centro da meta". Nada tem isso a ver com as razões pelos quais alguém vai fazer uma nova fábrica ou loja ou abrir uma firma, o motor do crescimento é DEMANDA, sem freguês não tem balcão.

O País precisa é da REATIVAÇÃO IMEDIATA DA ECONOMIA com mega investimentos públicos em GRANDE ESCALA, o País NÃO ESTÁ QUEBRADO, quebrada está a cabeça de bagre dessa turma, o País tem SUPER RESERVAS, tem imensa capacidade ociosa na economia, a agricultura pode aumentar RAPIDAMENTE, valorizar o REAL É UMA DEMÊNCIA, pois já estão fazendo isso desde o 2º dia após a posse de Goldfajn, o BC voltou a oferecer swaps cambiais para derrubar a cotação do dÓlar, precisamos exatamente o inverso, dane-se a meta, precisamos é de ATIVAR A ECONOMIA, ninguÉm come meta, esse não é um objetivo lÓgico para um PaÍs em recessão, pode até ser tentado com a economia aquecida mas, agora, as mÁquinas precisa ser ligadas, os caminhões precisam ter frete, os shoppings precisam de clientes, as construtoras precisam vender seus apartamentos, as loJas de carro precisam espanar a poeira.

Com o PaÍs caminhando para a depressão, com o seguro desemprego de milhões acabando, vão viver do que esses doze milhões, de assalto? RECUPERAR O EMPREGO É A GRANDE META, depois se cuida da inflação, se houver.



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