sexta-feira, 24 de junho de 2016

Moro nega a promotor acesso a provas do roubo tucano nos metrôs de SP


Valor Econômico - O juiz titular da Lava-Jato na Justiça federal em Curitiba, Sergio Moro, negou pedido feito pelo promotor de Justiça de São Paulo Marcelo Milani, para compartilhar informações sobre documento com anotações manuscritas encontrado durante a 23ª fase da investigação, a “Acarajé”. 


O papel foi apreendido com o executivo ligado à Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior e faz menção a suposto pagamento de propina em obra da rodovia Pedro Eroles (SP-88), conhecida como Mogi-Dutra, que liga os municípios de Arujá e Mogi das Cruzes.

O manuscrito menciona “acomodação de mercado” para favorecer construtoras em licitação para obras da rodovia de 2002, primeiro governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

O documento também indica pagamento de 5% do valor da obra para pessoa identificada como “santo” e lista valores à sigla DER, que os investigadores acreditam se tratar de Departamento de Estradas de Rodagem.

Na inscrição em uma folha de caderno há citação a “valor da obra” de R$ 68,7 milhões e a anotação “custos c/ santo= 3.436.500”. A palavra “apóstolo” está rasurada e foi trocada por “santo”.

Na avaliação de Moro, o compartilhamento da prova obtida pela Lava-Jato atende ao interesse público. No entanto, o magistrado observa que as investigações locais do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) sobre o material apreendido na Odebrecht está em curso.

No despacho, o juiz observa que o empréstimo da prova à promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo poderia resultar na abertura de outra investigação superposta à da Lava-Jato, que poderia prejudicar o resultado final. “deverão os órgãos solicitantes aguardar a finalização das investigações relativas a este processo”, decidiu.


Confira, como atrair o interesse pra uma conversa, por Mario Sergio Cortella: