terça-feira, 26 de julho de 2016

O golpe causou um recorde de ausências de líderes internacionais numa Olimpíada


Por Kiko Nogueira - Alguém já apontou que não faz sentido José Serra, um sujeito sem amigos que não conhece nenhum vizinho, ocupar um alto cargo na diplomacia.

Temos um elemento novo nessa história: se Serra não junta a família para comer uma pizza em seu aniversário, como esperar que ele convença alguém a comparecer à festa de abertura da Olimpíada?

O chanceler anunciou com pompa a presença de 45 chefes de estado na Rio 2016. O número é altamente suspeito, mas vamos lá. Os mais VIPs são o premiê francês François Hollande, o primeiro-ministro da Itália Matteo Renzi, o presidente da Argentina Maurício Macri, o da Colômbia Juan Manuel Santos e o do Paraguai Horacio Cartes.

Ban Ki Moon, secretário geral da ONU, também falou que vem. Os EUA vão enviar o secretário de defesa John Kerry — que recebeu, nesta semana, uma carta de congressistas americanos pedindo que tome cuidado para não sinalizar apoio ao governo do impeachment.

O ministro das Relações Exteriores se auto elogiou, garantindo que a recepção será realizada num prédio “muito bonito, com estátuas de todos os heróis das Américas que lutaram pela independência de seus países.”

É o menor número de dignitários das últimas edições: Londres recebeu 95, Pequim 82 e Atenas 48. Não deveria ser assim. Afinal, esta é a primeira vez que os Jogos ocorrem na América do Sul; 206 nações estarão representadas.

O baixo quórom deve ser debitado na conta do golpe. A Associated Press ouviu a professora de direito internacional da USP Maristella Basso. Para ela, fica a dúvida sobre que mão um presidente de outro país vai apertar num ambiente de tamanha incerteza. “É uma situação bizarra. Não é ocasião de festa para o Brasil, olhe a bagunça”, diz.

Além disso, se somos uma zona institucional, como é que poderíamos transmitir qualquer tipo de sensação de segurança?

A coletiva desastrosa do ministro da Justiça Alexandre de Moraes contando vantagem sobre a prisão de dez “terroristas” teve o efeito que se esperava: ao menos 20 mil pessoas devolveram os ingressos.

Se antes podíamos nos considerar alvos remotos do Estado Islâmico, agora estamos oficialmente no mapa de assassinos fanáticos religiosos. Na chegada à Vila Olímpica, a delegação da Austrália encontrou uma pocilga com vazamentos, gatos na eletricidade e mau cheiro.

Você iria a uma festa num lugar desses?

Mas nem tudo está perdido. Numa visita à Cidade do México, José Serra ofereceu algumas palavras de conforto e otimismo. Segundo ele, o país precisa estar “o mais preparado e também pedir a Deus que nada ocorra”.

Moralmente, a Rio 2016 de Temer e seus amigos já começa tomando de 7 a 1.


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