quinta-feira, 7 de julho de 2016

Serra quer exportar o golpe para o Mercosul


JEFERSON MIOLA - Na mesma terça-feira 5 de julho em que o presidente usurpador cumpria agendas com os sócios golpistas no Palácio do Planalto para fazer a partilha do butim, o chanceler usurpador José Serra esteve no Uruguai para promover um golpe nas regras do MERCOSUL com o objetivo de atacar a Venezuela.

Nesta empreitada, o governo usurpador do Brasil é acompanhado pelo governo reacionário do Horácio Cartes [Paraguai], e conta com a simpatia do ultra-liberal e também reacionário governo Maurício Macri, da Argentina.

O chanceler usurpador quer impedir a Venezuela de assumir a presidência pro tempore do MERCOSUL. A presidência pro tempore, que atualmente é exercida pelo Uruguai, pelo critério de rodízio deve ser exercida pela Venezuela no segundo semestre de 2016.

É assim que está definido no Tratado de Assunção, que é o instrumento jurídico internacional que instituiu o MERCOSUL, em 1991. O Tratado de Assunção ainda estabelece que as decisões do Bloco sejam sempre adotadas por consenso entre os Estados-Parte.

O desejo do governo usurpador do Brasil, nesse sentido, afronta duplamente o Tratado de Assunção: [i] subverte o critério de rotatividade de países na condução do Bloco, e [ii] busca impor, sem consenso com os demais sócios, sua compulsão golpista [por enquanto, pelo menos o Uruguai e a própria Venezuela se opõe à proposta golpista].

Essa posição, que envergonha a Nação e o povo brasileiro, significaria o ataque mais grave à institucionalidade do MERCOSUL nos seus 25 anos de existência.

Nesta missão de exportação do golpe para o território do MERCOSUL, o chanceler usurpador esteve acompanhado de ninguém menos que FHC, aquele ex-presidente decrépito que na Presidência do Brasil labutou fortemente para a anexação do país à ALCA, a Área de Livre Comércio das Américas, que pretendia converter todo o hemisfério americano – menos Cuba – num enorme protetorado dos EUA.

Que deplorável fim de carreira de Serra e FHC. Os dois, que conheceram de perto o golpe civil-militar no Brasil em 1964 [e também no Chile, em 1973, onde Serra se exilou], fizeram uma trajetória de degeneração moral e ideológica completa: da esquerda nos anos 1960/1970, fizeram pit stop num arremedo de social-democracia nos 1980, para em seguida aderirem ao neoliberalismo selvagem nos anos 1990/2000. Daí em diante, a involução para pior foi contínua: de linha de frente do reacionarismo febril, assumiram a proa do pensamento golpista contemporâneo.

A mudança abrupta da política externa brasileira, notada na inflexão radical em menos de 60 dias do governo usurpador, não é um ato isolado. É, ao invés disso, o resultado tangível do golpe de Estado perpetrado através do processo fraudulento de impeachment da Presidente Dilma, que tem por objetivo concretizar o projeto anti-povo e anti-nação.

O governo usurpador do Temer, Cunha, Padilha, Geddel, Aécio, Serra, FHC, Alckmin & caterva golpista do DEM, PMDB, PP, PSDB, PTB, PPS tem pressa em destruir os direitos e as conquistas sociais, trabalhistas e previdenciários; em dilapidar o patrimônio e a riqueza nacional, e em converter o Brasil numa sucursal colonizada pelas grandes potências e pelo capital financeiro internacional.

O ataque golpista contra o MERCOSUL, que atinge o direito da Venezuela – um país comprometido com a integração regional e com a construção da identidade e da independência sul-americana e latino-americana –, faz parte da estratégia de inserção subordinada do Brasil no mundo, cujo subproduto é a destruição do projeto de integração regional.


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