quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Além de prisão, Cunha tem R$ 220 milhões em bens bloqueados


Pragmatismo - O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi preso preventivamente no início da tarde desta quarta-feira (19), próximo à sua residência na Asa Sul, em Brasília.

Os agentes da Polícia Federal realizam busca e apreensão na casa do ex-deputado no Rio de Janeiro. O peemedebista está a caminho do aeroporto, onde embarcará para Curitiba. A previsão de chegada na capital paranaense é por volta das 17h.

A autorização para a prisão do ex-deputado foi expedida na terça-feira (18) pelo juiz federal Sérgio Moro, que cuida das ações contra o peemedebista no âmbito da Lava Jato.

Depois da sua cassação em setembro, Cunha perdeu a prerrogativa de foro privilegiado, e seu processo saiu do Supremo Tribunal Federal para a 13ª Vara da Justiça Federal no Paraná.

Eduardo Cunha é acusado de receber propina de contrato de exploração de Petróleo no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro.
R$ 220 milhões

A Justiça também decretou o bloqueio de bens de Cunha no valor de R$ 220 milhões.

No pedido de prisão, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato sustentaram que a liberdade do ex-parlamentar representava risco à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro).

A força-tarefa do MPF em Curitiba promoveu ação de improbidade administrativa em face de Eduardo Cunha e dos demais envolvidos no caso, tendo sido decretada, pelo juízo da 6.ª Vara Federal de Curitiba, a indisponibilidade de bens de Eduardo Cunha no valor de R$ 220.677.515,24 (autos nº 5028568-79.2016.404.7000).

Defesa
Uma das advogadas de Eduardo Cunha, Fernanda Tortima, disse que ainda está lendo os documentos que embasam o mandado de prisão contra o ex-deputado e que deverá se manifestar sobre o caso em breve.

Condutor do impeachment
Eduardo Cunha foi peça fundamental para o processo que culminou no impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff. Na época em que presidia a Câmara, Cunha acolheu o principal pedido de impedimento protocolado por Janaina Paschoal e partidos de oposição.

A deflagração do processo de impeachment ocorreu no mesmo dia em que deputados do PT anunciaram que votariam contra o peemedebista no Conselho de Ética da Câmara, onde ele foi investigado.

Por fim, Cunha acabou derrotado no Conselho de Ética e teve o mandato de deputado cassado no plenário da Câmara.


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