quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Blogueiro da Veja pede que Moro não aceite delação de Cunha


Pragmatismo - Para Reinaldo Azevedo, colunista de Veja, não parece “um bom desfecho” a Lava Jato aceitar uma delação premiada de Eduardo Cunha a esta altura, pois mergulharia o país no caos.

“Mas, afinal, Cunha fará ou não fará delação premiada? Ninguém sabe. Uma coisa é certa: a esta altura, não faz sentido lhe conceder um benefício, fazendo o país mergulhar no caos”, escreve ele.

Ele também cogita a possibilidade de “Cunha decidir, sei lá, jogar no lixo, com suas eventuais revelações, boa parte do trabalho feito até aqui”. “Os primeiros delatores tinham menos condições de escolher o caminho do que ele tem agora, embora pareça o contrário”, diz.
Primeiros alvos

Antes de ser preso pela Polícia Federal dentro das investigações da Operação Lava Jato, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já vinha trabalhando “enlouquecidamente” em um livro onde detalharia a crise política e os bastidores que levaram ao impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff.

O material, que já conta com mais de 100 páginas, é visto como um tipo de “delação informal” do ex-presidente da Câmara. Dentre os alvos iniciais de Cunha estão o responsável pelo Programa de Parceria de Investimentos (PPI) do governo Michel Temer, Moreira Franco, e o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A hipótese de que o ex-parlamentar feche um acordo coma Justiça por meio do mecanismo de delação premiada ganhou força, já que os dados que seriam utilizados no livro poderão ser usados para abrandar a pena que terá que cumprir em caso de condenação, além de servir para proteger a mulher, Cláudia Cruz, que também responde a um processo Lava Jato pela suspeita de lavagem de dinheiro.

Estranha discrição
A prisão de Eduardo Cunha foi realizada de maneira discreta nesta quarta-feira (19) e fugiu dos padrões do que vinha ocorrendo ultimamente no âmbito da Lava Jato.

Ao contrário do que aconteceu com a condução coercitiva de Lula e da prisão de outros dirigentes petistas, dessa vez não houve vazamento para a imprensa e, aparentemente, o próprio Cunha fora avisado pela Justiça que seria preso.

A mudança de postura partiu do próprio Sergio Moro. O magistrado que Cunha não fosse algemado em hipótese alguma e não permitiu que o ato fosse filmado ou fotografado.


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