sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Com Renan, Senado gasta R$ 120 mil para editar livros sobre o golpe


Ao custo de pelo menos R$ 120 mil, o Senado produziu e distribuiu a senadores, bibliotecas e jornalistas dois livros sobre as sessões que aprovaram a admissibilidade e, posteriormente, o impeachment de Dilma Rousseff. 

Os calhamaços –de 348 e 664 páginas, respectivamente– têm edição de luxo, com capa dura e papel couchê, e trazem a apresentação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na contracapa de um deles, há a foto de todos os 81 senadores.

"Procurei me pautar, na presidência do Senado Federal, pela isenção e imparcialidade recomendada aos magistrados. (...) Sempre tive lado e nunca dissimulei. O meu lado foi o da legalidade", escreve em uma das apresentações Renan, que é alvo de oito inquéritos da Operação Lava Jato.

O livro sobre a sessão da admissibilidade do processo de impeachment, em maio, é aberto com o capítulo "Renan, Serenidade e Espírito Público".

Apesar de qualquer cidadão poder consultar na internet o registro e os documentos oficiais do julgamento de Dilma Rousseff, o presidente do Senado afirma na apresentação que as obras fazem parte do "compromisso assumido pelo Senado Federal com a ampliação da transparência e o aumento do controle público". 

De acordo com a assessoria de imprensa da Casa, o livro "Impeachment" –sobre os sete dias de julgamento, ocorrido no final de agosto– tem tiragem de 1.500 exemplares e teve custo estimado de R$ 86,3 mil. Já o "20 Horas na História - A longa sessão de admissibilidade do impeachment da Presidente Dilma Rousseff" tem tiragem de 1.000 exemplares e custo de R$ 34 mil.

Essa conta não inclui o custo relativo da mão de obra de funcionários do Senado. "Os livros (...) foram totalmente impressos na Gráfica do Senado Federal e utilizaram recursos técnicos e materiais rotineiramente envolvidos na atividade legislativa e de cobertura jornalística da Casa. A elaboração e a finalização foram de responsabilidade da Secretaria de Comunicação Social do Senado Federal. Não houve, portanto, efetivo desembolso de valores a terceiros", diz a assessoria.