quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O telefonema desesperado de Eduardo Cunha antes de ser preso


Pragmatismo - Ao saber que seria preso nesta quarta-feira (19) pela Polícia Federal, Eduardo Cunha telefonou para o alto escalão do governo Temer pedindo ajuda. “Eu vou ser preso, eu vou ser preso. Estão atrás de mim”, repetia, impaciente. As informações foram divulgadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Ao determinar a prisão de Eduardo Cunha, o juiz Sérgio Moro recomendou que o político não fosse algemado em nenhuma hipótese, com a exceção apenas na hipótese de risco concreto aos policiais federais.

O magistrado também não permitiu que o ato fosse filmado ou fotografado, nem mesmo durante o deslocamento até Curitiba, como aconteceu com outros acusados.

“Não deve ser utilizada algema, salvo se, na ocasião, evidenciado risco concreto e imediato à autoridade policial. Consigne-se que, tanto quanto possível, não se deve permitir a filmagem ou a fotografia do preso durante a efetivação da prisão e deslocamento do preso”, afirmou Moro.
Chegada a Curitiba

Na quarta-feira, o avião da PF que trouxe Cunha pousou no aeroporto Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba, por volta de 16h40 e ele chegou à sede da PF às 17h15. Fotógrafos conseguiram registrar algumas imagens, mas o ex-deputado não estava algemado, conforme determinou o juiz.

Eduardo Cunha chegou abatido à carceragem da PF. Foi logo trancado. Fará companhia a Antonio Palocci. Apenas uma cela separa os dois presos da Lava Jato.
Apreensão no governo

Houve muita apreensão no governo desde a confirmação da prisão de Eduardo Cunha. O presidente Michel Temer voltou às pressas do Japão, onde cumpria agenda oficial em Tóquio. Temer ordenou ainda aos interlocutores do governo que não fizessem comentários públicos sobre o episódio.

Internamente, porém, assessores presidenciais admitiam que a prisão de Eduardo Cunha gera um clima de incerteza porque ele é considerado um político “incontrolável” e sempre se mostrou disposto a qualquer coisa para tentar salvar a própria pele.

Nos últimos dias Cunha já vinha enviando recados para o governo atirando em Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias do Investimento e um dos mais próximos amigos do presidente.

O problema, reconhecem governistas, é que se Eduardo Cunha resolver abrir sua caixa preta, ele vai envolver outros nomes do PMDB e ligados ao presidente. Podendo revelar, inclusive, episódios relacionados a Temer, já que os dois sempre foram muito próximos.

Além do receio de que uma eventual delação atinja nomes próximos a Temer, inclusive o próprio presidente, governistas temem que ela acabe prejudicando as votações de interesse do Planalto na Câmara dos Deputados.

Um peemedebista amigo de Eduardo Cunha que almoçava enquanto soube da prisão do ex-deputado garantiu que o jogo está apenas começando. “A terceira temporada começa em breve. A primeira foi a queda de Dilma, a segunda, a do próprio Cunha. O capítulo final da trilogia teria o título ‘Michel Temer'”, afirmou.