quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A ignorância desumana de Temer sobre Margaret Thatcher


Por Paulo Nogueira - Perdemos já o direito de nos surpreendermos com com a obsolescência mental de Temer.

Mas ainda assim é difícil acreditar que ele tenha citado Margaret Thatcher como referência.

A esta altura?

Sabe-se, há muito tempo, qual foi o legado do thatcherismo — uma brutal concentração de renda. Thatcher fez um governo de ricos, por ricos e para ricos.

Até os conservadores britânicos a rejeitaram faz tempo. Morta em 2013, jamais foi erguida uma única estátua para ela. Seria derrubada em poucas horas.

Sua receita foi uma mistura de privatizações e desregulamentações. Nos dias de fausto de Thatcher, nos anos 1980, essa receita foi amplamente imitada em todo o mundo.

O governo FHC foi essencialmente thatcherista, embora ele negue para manter a fama de “intelectual de esquerda” (aspas e gargalhada.)

A doutrina de Thatcher com o tempo se mostraria ruinosa — e não estamos falando apenas de concentração de renda. A grande crise econômica de 2008 foi fruto do thatcherismo: as desregulamentações financeiras estimularam os banqueiros a fazer barbaridades em busca de bônus bilionários e a bolha acabou explodindo.

Para um país como o Brasil, as ideias de Thatcher representam um avanço monumental na desigualdade.

Quando morreu, Thatcher era tão detestada que os ingleses fizeram uma festa animada em Trafalgar Square, no centro de Londres. Eu vivia então em Londres, e testemunhei as celebrações. “A bruxa morreu”, cantavam as pessoas em Trafalgar sob chuva.

E é Thatcher que Temer cita agora. O Brasil precisa do exato oposto. E, neste momento, o primeiro passo é nos livrarmos dele, Temer.


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