terça-feira, 22 de novembro de 2016

Notícias falsas da Lava Jato foram mais compartilhadas que verdadeiras



Desde janeiro, as 10 principais notícias falsas tiveram 3,9 milhões de compartilhamentos, reações e comentários, enquanto as 10 reportagens mais populares sobre o mesmo tema somaram 2,7 milhões de interações.

A conclusão é de uma análise feita pelo BuzzFeed Brasil com base em dados de interação informados pelo Facebook. No levantamento, foram considerados notícias apenas textos com pretensão informativa — a análise exclui blogs de opinião e sites institucionais, por exemplo.

De maneira geral, o desempenho das informações falsas no Facebook é muito superior ao das reportagens reais.



Exemplo disso é que um único texto do G1, publicado quando o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) virou réu no Supremo, é responsável por 1,1 milhão do total de 2,7 milhões de engajamentos que as 10 maiores notícias tiveram somadas.



A notícia falsa mais compartilhada, sobre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), teve 596 mil engajamentos — número menor que o do G1, porém maior que todo o resto das notícias verdadeiras que chegaram ao top 10.
O texto foi publicado pelo site A Folha Brasil, que posta apenas notícias falsas e cuja aparência — logotipo e slogan — é muito semelhante à do jornal Folha de S.Paulo:



Oficialmente, o site está registrado em nome do “repórter” que assina todos os textos — Josias Oliveira, que provavelmente é um pseudônimo. Um indício de que o nome é tão inventado quanto o conteúdo do site é o CPF vinculado ao registro, que pertence a uma estudante universitária de 24 anos que mora no Espírito Santo.

Repare que à direita, na imagem acima, há um banner publicitário. Essa é a vantagem de ser dono de um grande site de notícias falsas — lucrar com a quantidade de visitantes que clicam nos links e, consequentemente, veem a publicidade. Quanto mais gente vê os banners, mais dinheiro a página gera.
Também foram consideradas falsas notícias com títulos enganosos. É o caso de textos do site Brasil Verde-Amarelo, da empresa mineira Ethernize Produções. No exemplo abaixo, o site distorceu uma informação do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo a reportagem original, a Lava Jato investiga compras de termoelétricas feitas durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) — mas não diz que o tucano é investigado. O site deu o seguinte título à notícia:


Na semana passada, o BuzzFeed News revelou que, nos três últimos meses da campanha eleitoral nos Estados Unidos, as notícias falsas superaram em engajamento as verdadeiras.


Alguns dos maiores boatos sobre a Lava Jato não aparecem no levantamento porque foram disseminados de fontes diversas — ou seja, não há um único site que concentre a informação falsa.


Procurado, o Facebook não quis comentar esta reportagem.
Na semana passada, o CEO e fundador Mark Zuckerberg escreveu que “99% do conteúdo que as pessoas veem no Facebook é autêntico”. (Leia a íntegra aqui, em inglês.)

Também na semana passada, a empresa disse ao BuzzFeed News que o desempenho dos links com mais engajamento não reflete o conjunto total de compartilhamentos, reações e comentários feitos pelos usuários na rede social.


Durante uma conferência há duas semanas, Zuckerberg afirmou que o argumento de que notícias falsas na rede social têm o poder de afetar uma eleição eram “uma ideia bem maluca”.

Em resposta, funcionários da empresa se reuniram em uma força-tarefa informal para questionar o papel que a rede social teve na vitória do republicano Donald Trump, ao não combater a profusão de notícias falsas compartilhadas.
Estas são as 10 notícias falsas sobre Lava Jato com mais engajamentos no Facebook desde o início do ano:

E as 10 notícias (reais):



'Em qualquer governo sério, Geddel seria afastado', afirma Dilma