domingo, 20 de novembro de 2016

Temer segurou Geddel. E agora: prevaricou?


247 – Marcelo Calero, agora ex-ministro da Cultura, denunciou um crime no coração do governo Temer: Geddel Vieira Lima, braço direito do presidente, usa seu cargo para defender seus próprios interesses – e não o interesse público.

Mais precisamente, Geddel pressionou órgãos técnicos do governo a liberar uma obra que, segundo arquitetos e urbanistas, agride o patrimônio histórico de Salvador. O motivo? Geddel tem um apartamento de R$ 2,4 milhões num andar alto do espigão de 107 metros. "Como é que eu fico?", questionou Geddel, ao pressionar Calero (saiba mais aqui).

Diante do escândalo, Temer não tinha outra saída, a não ser demitir Geddel. Isso porque a procuradoria-geral da República não terá meios de abafar a denúncia de Calero – que dificilmente voltará atrás em suas declarações.

Ou seja: se Temer não o demitir, será cúmplice de Geddel, admitindo que, em seu governo, autoridades podem usar seus cargos em prol de benefícios pessoais. Mais grave ainda, será acusado do crime de prevaricação, uma vez que Calero o alertou sobre as pressões ilegítimas que recebia de Geddel (saiba mais aqui). O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (PT-BA), promete entrar com representações contra Geddel e Temer ainda nesta segunda-feira.

A demissão de Geddel, no entanto, teria um alto custo político para Temer, uma vez que os dois atuam juntos no setor portuário há mais de duas décadas, desde quando o político baiano era responsável pela administração dos terminais de Santos, no governo FHC (a esse respeito leia reportagem de Marcelo Auler).

Temer decidiu preservá-lo, mas a queda do articulador político do governo parece ser uma questão de tempo. Se Temer não o demitir agora, diante do escândalo Calero, terá que fazê-lo quando se tornarem públicas as delações premiadas da OAS e da Odebrecht, que fatalmente o atingirão.


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