quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Aprovado em vestibular de medicina, jovem negro sofre racismo na internet

racismo medicina Diogo Medeiros

O que era para ser uma mensagem de apoio aos vestibulandos que planejam cursar Medicina se transformou em uma chuva de preconceito e racismo de futuros médicos.

O jovem Diogo Medeiros, de 24 anos, publicou no grupo Vestibulando de Medicina, composto por jovens de todo o Brasil, uma foto sua acompanhada de uma mensagem em que desejava sorte aos que vão fazer o Enem na próxima semana.

“Não importa quem você é, apenas tenha a certeza que você pode ser quem deseja. Basta acreditar em seu potencial”, escreveu. Algumas mensagens publicadas em resposta ao post de Diogo estavam carregadas de ódio e racismo.

Eis alguns dos comentários:

“Ué, não sabia que negro podia ser médico, quem se arriscaria em uma consulta?”

“Só porque o cara é feio e da cor de fita isolante ele não pode ser feliz?”

“Se não tivesse cota duvido que conseguiria”

“Temos que acabar com o preconceito entre negros e humanos”.


Ao jornal O Dia, Medeiros afirmou que iria registrar queixa à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática. “Até pouco tempo atrás era mais comum, mas em pleno século 21 ainda existir isso é absurdo. Estou muito constrangido”, afirmou o estudante, que já está morando em Buenos Aires, após uma conquista que parecia apenas um sonho.

O desejo de ser médico veio da infância, quando Medeiros viu a mãe morrer no Sistema Único de Saúde (SUS). “Um dia quero ter uma clínica para atender pessoas sem condições financeiras”, explicou o jovem.

Os moderadores da página apagaram as mensagens racistas, mas um estudante fez um comentário preciso e direto sobre a situação vivida por Medeiros no Facebook, ao tentar simplesmente encorajar outros a seguirem acreditando em seus sonhos. “Como futuros médicos vão atender pacientes sendo racistas?”, questionou.

Para o presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-RJ, Marcelo Dias, que ofereceu assistência jurídica a Diogo, os ataques demonstram que o racismo no país ainda é muito forte.

“Existe uma parcela da população que não aceita os negros chegarem a espaços em que antes não eram vistos, como as universidades. Quando eles não estavam nesses espaços estava tudo certo, não incomodavam”, diz.