quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Dilma foi julgada por senadores corruptos que continuam impunes


A mais gritante contradição do processo de impeachment reside na ficha corrida de cada senador que julgou Dilma Rousseff neste agosto de 2016.

Entre os juízes, tem político algemado pela Polícia Federal, como Flexa Ribeiro (PSDB), alvo da Operação Pororoca. O senador foi preso por integrar uma quadrilha envolvida em fraudes em licitações públicas.
Há também políticos cassados pela Justiça Eleitoral, como o senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O tucano, que hoje vocifera discursos em nome da ‘ética’ e da ‘legalidade’, foi cassado pelo TSE e enquadrado na Lei da Ficha Limpa por abuso do dinheiro público.


Incrivelmente, há ainda o dono de um helicóptero que portava meia tonelada de pasta base de cocaína. Trata-se do senador mineiro Zezé Perrella. A obscura história do ‘helicoca’, abafada pela mídia, foi contada em documentário produzido pelo DCM.

Zezé Perrella, que fez um agressivo discurso contra Dilma Rousseff diante da presidente no último dia 29/8 no plenário do Senado Federal, é aliado de outro político com telhado de vidro e que também foi julgador no processo de impeachment: Aécio Neves.

Recordista em citações por delatores na Operação Lava Jato, nem mesmo o amigo Gilmar Mendes conseguiu engavetar — embora tenha tentado — a abertura de inquérito contra Aécio Neves no STF, no âmbito da Lava Jato.

Outro julgador de biografia maculada foi o senador evangélico Magno Malta, indiciado pela Polícia Federal por integrar o esquema dos Sanguessugas (Máfia das Ambulâncias).

Ainda foram juízes de Dilma o ruralista Ronaldo Caiado (DEM), denunciado por trabalho escravo em suas fazendas. Antonio Anastasia (PSDB), citado na Lava Jato e que cometeu quase 1.000 ‘pedaladas fiscais’ quando governou Minas Gerais.

Improbidade administrativa e corrupção

De acordo com um levantamento divulgado pela BBC Brasil e elaborado pela ONG Transparência Brasil, 58% dos que votaram o impeachment de Dilma Rousseff, respondem a acusações como improbidade administrativa e corrupção passiva em tribunais.

Ivo Cassol (PP), primeiro senador condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Fernando Collor de Melo, ex-presidente da República afastado do mandato em processo de impeachment, também votou contra Dilma. O senador teve seus carros de luxo apreendidos pela Operação Lava Jato.

Finalmente, José Agripino Maia, presidente do DEM, também foi um dos juízes que definiu que Dilma Rousseff, presidente eleita pelo voto popular nas urnas, fosse afastada do cargo e entregou o poder para Michel Temer. Agripino Maia responde a uma série de processos e acusações. O senador é alvo de inquérito no STF por corrupção e lavagem de dinheiro, além de acumular salários e ter renda duas vezes maior que o teto da lei.
Neste momento histórico, é impossível não recordar o fatídico diálogo entre o senador Romero Jucá e Sérgio Machado, em áudio vazado da Lava Jato. “Rapaz, a solução mais fácil era botar Temer. Num grande acordo nacional”, dizia Machado. “Com o Supremo, com tudo”, complementava Jucá.


Em jogo, esteve o futuro do país. Está claro, porém, que trata-se de um jogo de cartas marcadas.

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