terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Gilmar, Janot e a indignação súbita com o vazamento da delação do executivo da Odebrecht

Indignados com os vazamentos

Por Kiko Nogueira - A reação de Gilmar Mendes e de Rodrigo Janot diante do vazamento do termo de delação premiada do executivo Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, está entre os grandes momentos do ano — e estamos falando de um ano excepcional.

Gilmar afirmou que é preciso discutir com “seriedade” a propagação do documento e que será “inevitável” alterar a lei que regula as colaborações.

“Teria que pensar alguma coisa que levasse a uma anulação”, disse. “Como se fosse uma prova ilícita, pelo menos da denúncia ser recebida ou coisa do tipo”

Para ele, “essa coisa de vazar algo que não correspondeu ao sigilo funcional é crime”.

O procurador-geral da República, em nota, acusou: a divulgação do quem é quem da corrupção no governo Temer, elaborado por Melo, “não auxilia os trabalhos sérios que são desenvolvidos” e é “causa de grave preocupação”.

Ele solicitará “abertura de investigação” para apurar o caso.

A conduta de Gilmar e Janot difere absolutamente da que tiveram quando Sérgio Moro liberou para o Jornal Nacional os grampos de Lula e Dilma.

À época, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, Janot considerou que, apesar de as interceptações terem envolvido Dilma, que tinha foro privilegiado, Moro não violou a competência do STF porque o alvo das gravações era Lula.

Gilmar, por sua vez, cravou que a divulgação das conversas ocorreu de forma correta por ter partido de um despacho do juiz responsável pela Lava Jato. No máximo, reconheceu que havia algo a ser “questionado”.

Os vazamentos são parte da estratégia de Moro, explicitada em seu ensaio sobre a Operação Mãos Limpas. Foram banalizados a ponto de Diogo Mainardi se sentir à vontade para fazer um vídeo implorando de joelhos que alguém lhe passe informações sobre uma conta de Lula num departamento de propinas da Odebrecht (desconte-se aí o evidente desequilíbrio mental do sujeito).

Nada foi feito por Janot e Gilmar enquanto o cardápio que era servido se limitava a detonar Lula e a “organização criminosa” do PT.

Agora que o expediente virou praxe, mudaram os personagens e o cenário, eles aparecem com essa onda de indignação republicana. O golpe vai sendo soterrado, entre outros motivos, por causa dos flagrantes de hipocrisia.

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