domingo, 4 de dezembro de 2016

Jornal Nacional é criticado por cobertura do velório dos jogadores da Chapecoense

Jornal Nacional Chapecoense velório
O Jornal Nacional foi duramente criticado nas redes sociais após exibir uma reportagem na noite deste sábado (3) na qual entrevista familiares das vítimas do acidente com o avião da Chapecoense dentro de um ônibus, a caminho do aeroporto — onde receberiam os corpos –, e depois em direção ao velório, no estádio.
Consciente da invasão de privacidade que estava prestes a cometer, a repórter Kiria Meurer, da RBS TV, afiliada da Globo, informou: “Eu consegui um lugarzinho aqui no ônibus, vou acompanhar esses familiares. A partir daqui, a nossa câmera, com o nosso cinegrafista, não pode gravar. Então vou gravando com o meu celular”, disse ela.
No momento mais constrangedor, ela abordou uma mulher e perguntou: “Você é parente de quem?” A moça informou: “Sou esposa do fisioterapeuta, Rafael Lobato”. A repórter, então, fez a observação cretina: “Finalmente, então, acabou a espera”. Ao que ouviu: “Não. O pior vem agora”.
Diante da imagem de uma moça chorando, Kiria disse: “Do lado de fora, encontramos a namorada de uma das vítimas, que recebeu atendimento médico”. Em seguida, ouvimos o depoimento da jovem, entre lágrimas, dizendo que havia prometido buscar o namorado no aeroporto, mas não imaginava que seria desta forma.
Filmando a si mesma enquanto percorria a área do velório (imagem no alto), Kiria descreveu os bastidores do ambiente como se estivesse visitando um ponto turístico de Chapecó.
Redes sociais
Nas redes sociais, a matéria de quase seis minutos feita por Kíria Meurer dividiu opiniões: enquanto alguns classificaram como “desnecessária”, “invasiva” e “sensacionalista”, outros avaliaram que Kíria estava apenas cumprindo seu papel.
Gravar as famílias indo para o enterro de seus familiares é algo que não precisava, esse momento de dor merecia respeito”, afirmou um internauta. “Achei desrespeitoso o ‘Jornal Nacional’ mostrando a dor dos familiares no momento tão íntimo. Como no ônibus e naquela área reservada [dentro do estádio]”, disse um outro tuiteiro.
O acidente com o avião da Chapecoense deixou 71 mortos e seis pessoas sobreviventes, entre eles os jogadores Alan Ruschel, Follmann e Neto e o jornalista Rafael Henzel.
Além da equipe e da delegação da Chapecoense, morreram ainda parte da tripulação e outros 20 profissionais de imprensa (produtores, cinegrafistas, repórteres, narradores e comentaristas), de vários veículos, (como Globo, FOX Sports e RBS TV).
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