quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Renan é louco? Marco Aurélio é louco? Não, o Brasil está louco


Quando as pessoas começam a comportar-se como se estivessem loucas, há duas coisas que devem ser consideradas.

Uma, se de fato estão mesmo loucas, porque já diz o malandro de rua, “é doido,mas não queima dinheiro”.

A segunda, é saber que, se estão se comportando assim, algo está acontecendo em torno delas que torna o comportamento aloprado algo que, nas circunstâncias, passa a ter certa lógica.

Não foi de um repente que o Ministro Marco Aurélio tirou a sua decisão de mandar afastar Renan Calheiros da presidência do Senado, pouco mais de uma semana antes de ele sair de lá, por extinção de seu mandato.

Existe, nos meios jurídicos, algo que fundamenta os chamados “atos discricionários”, aqueles que o dirigente toma baseado em sua própria capacidade de decidir, quando não está obrigado a fazê-lo. Chama-se “juízo de conveniência e oportunidade”.

Conveniência, já se viu, não havia nenhuma. Conviria, ao contrário, deixar que terminasse, sem um trauma desta envergadura, o período de Renan na Presidência da Casa. Em uma semana estaria “extinta a causa de pedir” da ação da Rede que motivou o seu ato e uma semana de espera, no Supremo, “é pinto”.

Afinal, numa ação que levou nove anos para tornar Renan réu, nove dias são coisa alguma.

Mas oportunidade, ah, esta sobrava.

Marco Aurélio sente os ventos e sabe que o tropel da direita se acelera e faz bom eco nos ouvidos e bocas da mídia.

Do outro lado, fosse louco, Renan não arrastaria para a desobediência outros oito integrantes da Mesa Diretora do Senado.

Certamente não são todos, mas a maioria dos senadores sentiu também a oportunidade de colocar freios aos avanços que, sabem eles, partirão da Justiça contra si.

Sabiam – e aconteceu – que o governo e a mídia se mobilizariam pela votação da PEC dos Cortes já, imediata, que se tornaria quase impossível diante da consumação do trauma do afastamento de Renan.

Ele sabe que tem uma moeda de troca e viu que era hora de usá-la.

Quem deixa para gastá-la depois, como está vendo Eduardo Cunha, deixa com que ela perca valor.

Só o que há de loucura neste episódio é a situação brasileira.

Às voltas com uma crise avassaladora, em meio a decisões que vão aprofundar a retração e na iminência de entrar nos sacolejos de uma reconfiguração mundial de poder, com a posse de Trump, tudo o que o país não precisava.

Mas o país, ah, o país não importa.


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E vai ser candidato em 2018!