terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Temer é um dos principais inimigos da Lava Jato, dizem procuradores

Deltan_Dallagnol-Devolução_simbólica-2015_05_11

Revista Fórum - Depois da Globo e da Veja, parece que o próprio Ministério Público Federal começa também a abandonar o barco furado de Michel Temer. Em nota na coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha desta terça-feira (13), procuradores do MPF dizem que o presidente é hoje um dos principais inimigos da Operação Lava Jato.


Para eles, todas as iniciativas do Congresso Nacional que visariam cercear o trabalho do MP – como a lei de abuso de autoridade – têm o dedo do governo Temer por trás. Sem esse apoio, acreditam, os parlamentares nada fariam. Na opinião de interlocutor dos procuradores, o que eles puderem fazer para “derreter” o governo, será feito.


A coluna diz ainda que os depoimentos de delatores da Odebrecht devem ser agregados à ação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que investiga irregularidades na arrecadação de recursos da chapa de Dilma Rousseff e Temer na campanha de 2014. Uma condenação pode resultar até na cassação do mandato do atual presidente.

Contrariando a maioria, no entanto, que quer a renúncia do presidente ainda este ano para que aconteçam eleições diretas, o ministro do TSE, Herman Benjamin, relator da ação, vai apresentar seu voto somente em 2017, e não até o fim deste ano, como estava previsto. Com isso, haverá tempo para que o STF homologue as delações e para que elas sejam eventualmente usadas na ação. O adiamento ocorreu porque as perícias sobre eventuais gastos irregulares da chapa não serão concluídas até dezembro.


Vídeo emocionante: desculpa, Dilma! 

O calendário, assim, jogou contra Dilma e Temer. Até agora, o único empresário que dizia que o dinheiro dado à campanha tinha sido propina, Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, voltou atrás. Mas agora a Odebrecht deve reavivar o assunto.

A expectativa no próprio tribunal é de que o Ministério Público Federal apresente o conteúdo das delações depois que elas forem homologadas pelo ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal).