quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A estranha relação entre juízes e políticos brasileiros


Em meio ao julgamento pela Justiça Eleitoral de processo de cassação da chapa presidencial, o presidente Michel Temer incluiu na comitiva oficial para Portugal o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes.



O ministro acompanhou o presidente em viagem para o funeral do ex-presidente português Mário Soares, marcado para esta terça-feira (10).

Porém, Gilmar Mendes, não vê nenhuma incompatibilidade entre o fato de estar presidindo um processo de cassação do presidente da República e ter aceitado o convite deste para integrar a comitiva presidencial.

Apesar de ter embarcado com a comitiva, o ministro não participou do funeral. A assessoria explicou que o ministro se sentiu mal. Ainda segundo a assessoria, Gilmar decidiu continuar em Portugal até o fim do mês para continuar aproveitando as férias.

Chamou atenção também o fato dos jornais Estadão e Folha de São Paulo não terem dado cobertura ao fato. Apenas a Globo, de forma discreta, refletiu o sentimento de vergonha que nos assola num ambiente político que permite a convivência da "Democracia" com o Gilmar.

Juiz Sérgio Moro e Tucanos


Em dezembro de 2016, foi a vez do juiz Sérgio Moro protagonizar momentos de intimidades com políticos tucanos em evento da revista Istoé. 

Por ser um juiz de primeira instância, Moro não poderia investigar Aécio, mas a boa convivência de entre os dois chama a atenção por conta dos diferentes perfis públicos. Em geral, Moro busca transmitir em suas aparições e manifestações uma imagem austera, exemplar de como um funcionário público engajado no combate à corrupção deve se postar.

Ídolo de manifestantes contra a corrupção, em especial a corrupção do PT, Moro se tornou uma espécie de reencarnação de Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo alçado à condição de herói após liderar as condenações dos políticos envolvidos com o "mensalão". Nos últimos meses, Moro vem se tornando uma figura messiânica e, no último domingo, um manifestante chegou a classificá-lo de "segundo filho" de Deus. 

Aécio, ao contrário, é uma figura cuja imagem tem sido duramente afetada desde outubro de 2014, quando perdeu as eleições presidenciais para Dilma Rousseff. O tucano já foi citado por pelo menos cinco delatores diferentes da Lava Jato, entre eles o ex-senador Delcídio do Amaral; o doleiro Alberto Youssef; um de seus entregadores de dinheiro, Carlos Alexandre de Souza Rocha, o "Ceará" (ambos casos arquivados); do lobista Fernando Moura, ligado ao PT; e do ex-deputado do PP Pedro Corrêa. 

Enquanto isso ficamos na espera de imparcialidade por parte do judiciário, e que todos os responsáveis por praticar corrupção sejam realmente punidos.

Ativismo do Judiciário Brasileiro 


Para ilustrar melhor esta discussão assista ao vídeo da professora Marjorie Marona, aonde ela fala sobre a influência da política no sistema de Justiça e do ativismo judiciário no Brasil. Ela comenta como se deu a divisão entre os poderes no Brasil a partir da Constituição de 1988. a partir de alguns fatos da Lava Jato, a professora comenta algumas das principais críticas à atuação da Justiça no combate à corrupção. Para assistir ao vídeo, clique aqui.

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