terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Cai uma presidenta, cai um avião, mas a ficha não cai


Toda grande derrota é desconcertante, mas certos elementos ampliaram, durante os longos meses por que se arrastou o golpe brasileiro, a sensação de impotência. Como um Parlamento degradado, uma mídia anacrônica e um empresariado decadente puderam vencer? Por onde se esvaiu o longo esforço de denúncia e conscientização sobre as misérias da ditadura pós-64? Por que uma sociedade implicada em tantos processos de auto-transformação rendeu-se a deputados e senadores cuja debilidade moral e intelectual evidenciou-se sucessivas vezes?


E o que virá agora? Uma longa noite de retrocesso e terror, como a que se iniciou em 1964? A devastação, a toque de caixa, das conquistas penosamente alcançadas desde a Constituição de 1988? A prisão de Lula? O cancelamento das eleições de 2018 e a consolidação do golpe? A reversão radical dos sonhos tramados por muitos em 2013 – e a morte prematura dos planos para uma sociedade articulada em torno do Comum?



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