sábado, 14 de janeiro de 2017

Geddel fazia parte de 'verdadeira organização criminosa', diz MPF

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No documento em que pediu a realização de busca e apreensão em endereços do ex-ministro Geddel Vieria Lima, o Ministério Público Federal aponta que ele e outras pessoas "faziam parte de uma verdadeira organização criminosa". Os investigados são suspeitos de facilitar a liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal a empresas e, em troca, receber propina. Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco entre 2011 e 2013. No ano passado, foi ministro da Secretaria de Governo do presidente Michel Temer.


As buscas — assim como a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico, telemático e postal para acessar dados eventualmente conseguidos nos materiais apreendidos durante a operação — foram autorizadas pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, em 19 de dezembro do ano passado. Os mandados, porém, foram cumpridos apenas nesta sexta-feira pela PF, como parte da Operação "Cui Bono?", no Distrito Federal, na Bahia, no Paraná e em São Paulo.

"Os elementos de prova colhidos até o presente momento apontam para a existência de uma organização criminosa integrada por empresários brasileiros e agentes públicos que, ocupando altos cargos na Caixa Econômica Federal e no Parlamento brasileiro, desviavam de forma reiterada recursos públicos a fim de beneficiarem a si mesmos, por meio do recebimento de vantagens ilícitas, e a empresas e empresários brasileiros, por meio da liberação de créditos e/ou investimentos autorizados pela Caixa Econômica Federal em favor desses particulares", escreveu o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.

A Polícia Federal (PF), em trecho reproduzido pelo MPF, também aponta uma atuação conjunta entre Geddel, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e outras pessoas. Segundo a PF, várias empresas seriam beneficiadas com isso: BR Vias, Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários S.A, Marfig S.A, J&F Investimentos S.A, Grupo Bertin e JBS S.A, entre outras. A PF afirma também que o esquema destinou recursos para o PMDB e aponta possíveis repasses para o PSC.

"A narrativa exposta demonstra que Geddel Quadros Vieira Lima, juntamente com Eduardo Consentino da Cunha, Lúcio Bolonha Funaro, e ainda contando em alguns momentos com a participação de Fábio Ferreira Cleto, agiram de forma ilícita para a liberação de créditos da área da Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, a qual era dirigida por Geddel Quadros Vieira Lima", diz a PF.

Segundo o MPF, a organização criminosa era composta por Geddel, pelo ex-vice-presidente de Gestão de Ativos e Terceiros da Caixa Marcos Roberto Vasconcelos, pelo funcionário do banco José Henrique Marques da Cruz, e por Marcos Antonio Molina dos Santos, fundador da Marfrig Alimentos. Na decisão, o juiz considerou urgente autorizar as buscas em endereços de todos eles. Isso porque as provas poderiam ser eliminados e "por serem fortes os indícios de que todas as pessoas relacionadas na representação da autoridade policial tiveram participação nos atos que ensejaram as referidas irregularidades/ilícitos".

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro e ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias Fábio Cleto são investigados em outros inquéritos e não foram alvos da operação desta sexta-feira.

No documento em que fez o pedido de buscas, o MPF apontou indícios de que Geddel foi um dos beneficiados com valores indevidos decorrentes de fraudes nas vice-presidências da Caixa. Há menção, por exemplo, a diálogos interceptados depois da apreensão de um telefone celular de Cleto, evidenciando o envolvimento do ex-ministro.

Segundo o MPF, as investigações começaram com informações apreendidas numa operação envolvendo Cleto, que foi vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias entre 2011 e 2015. Ele se tornou delator da Operação Lava-Jato e confessou que atuava no cargo para conseguir recursos para Cunha e Funaro.


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