quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Polícia de SP vê reforço de neonazistas que teriam ganhado força com discursos de políticos

Panfletos apreendidos pela polícia
Policiais civis apreenderam material de propaganda na casa de membro de grupo neonazista em São Paulo
A Polícia Civil vem detectando uma maior movimentação de grupos de caráter neonazista em São Paulo nos últimos meses. Entre as possíveis causas para essa tendência estão o cenário político no Brasil, o fortalecimento de partidos conservadores e de extrema direita no exterior e a situação de desemprego e instabilidade econômica, segundo policiais e especialistas ouvidos pela BBC Brasil.



Policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância da Polícia Civil (Decradi) dizem ter constatado nos últimos seis meses uma movimentação acima do normal de grupos neonazistas, cujos integrantes já tinham sido identificados pelas autoridades.


O caso mais recente ocorreu na semana passada. Policiais civis cumpriram mandados de busca nas casas de quatro membros de um grupo neonazista autodenominado Kombat Rac. Eles são suspeitos de colar cartazes de natureza antissemita na região central da cidade.

A polícia afirma que o Kombat Rac é um dos três principais grupos de caráter neonazista e antissemita em atividade hoje em São Paulo. Os outros dois são o Front 88 e o Impacto Hooligan. Juntos, os três teriam cerca de 110 membros ativos, parte deles já identificados pelas autoridades.

Grupos que ficaram conhecidos no Estado por se envolverem em conflitos nas décadas de 1980 e 1990, como os Carecas do ABC ou Carecas do Subúrbio ainda existem como movimentos e juntos englobam até 250 membros. Mas atualmente não estariam mais envolvidos em atividades violentas, se dedicando prioritariamente a eventos musicais e ações sociais.

Uma das atividades dos bandos Kombat Rac, Front 88 e Impacto Hooligan seria a promoção de brigas contra grupos rivais, conhecidos como "antifascistas", que também fazem uso da violência. Em geral, esses oponentes são seguidores de ideologia anarquista, punks e os chamados black blocks - que ficaram conhecidos a partir de 2013 por participarem com violência de protestos contra a Copa do Mundo de 2014 e contra as tarifas do transporte público.

Porém, a maioria dessas brigas quase nunca chega imediatamente ao conhecimento da polícia, pois a maioria das gangues prefere arquitetar vinganças a procurar as autoridades, segundo os policiais.

Ou seja, ataques físicos a minorias como homossexuais, negros e judeus se tornaram menos comuns do que as brigas entre os grupos rivais.



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