segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Sergio Moro precisa conter a violência dos seus seguidores

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Kiko Nogueira, DCM

Os agressores de Letícia Sabatella saíram todos do mesmo molde.

Vestiam o uniforme clássico do fascista brasileiro: camisa nas cores nacionais — uma delas ou todas juntas —, acessórios combinando, ou a variação roupa de grife com a bandeira do Brasil nas costas.

São de Curitiba, capital da Lava Jato, a cidade mais branca e europeia do Brasil, a nossa versão da Munique dos anos 20 e 30.

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Por enquanto, alguns nomes teriam sido identificados: Gustavo Guga Abbage, empresário; Vanessa Lobo da Costa; Éder Borges, coordenador do MBL.

Uma das senhoras senhora que seguem Letícia grita-lhe impropérios da Guerra Fria; Gustavo é o sujeito que a chama de “puta” com a boca cheia.

Ele escreveu depois no Facebook: “De uma personalidade cínica, arrogante e prepotênte… (sic) não apanhou por muito pouco… Vamos comprar uma passagem só de ida para para ela, (sic) para Cuba”.

O que os une espiritualmente, sobretudo, é a devoção ao mesmo líder: o juiz Sérgio Moro. Moro é seu messias, sua tábua de salvação num mundo dominado pelo comunismo de Sabatella e seus pares.

A atriz escapou por pouco de ser linchada. Eles fazem o que fazem em nome de Moro e do que ele representa. Ele é usado para convocar manifestações. Estandartes com sua figura são onipresentes.

Não é a primeira vez que esse tipo de situação perigosa ocorre. Na Paulista, há meses, um casal de bicicleta vermelha chegou a ser cercado e agredido.

Não vai demorar muito para esse pessoal cometer uma bobagem e causar uma tragédia. Por que Moro está demorando para pedir a seus fãs que segurem seus cavalos?
Post na página de um dos agressores (reprodução)
O momento é esse. Os ânimos estão exaltados, não vão arrefecer depois do impeachment, a caçada a Lula prosseguirá. Moro seguirá como santo padroeiro de uma direita fascista e truculenta que tomou as ruas.

Ele deveria dar uma palavra para acalmar seu povo. Seus apoiadores estão vomitando rancor e ameaçando mulheres.

Onde está sua liderança e a preocupação com os rumos desse fanatismo? Onde uma declaração de que não tem nada a ver com atos dessa natureza?

Moro pode se mirar no exemplo de Ronald Reagan. Quando a candidatura de Reagan foi endossada pela Ku Klux Klan em 1984, ele escreveu uma carta falando que não queria nada com o grupo. Para ele, “a política de ódio racial e intolerância religiosa praticadas pela Klan e por outros não têm lugar neste país e são destruidoras dos valores que formaram os Estados Unidos”.

Bernie Sanders, recentemente, desautorizou apoiadores que fizeram comentários sexistas on-line contra Hillary Clinton. “É nojento”, disse.

Moro, evidentemente, nunca incentivou esses malucos. Mas seu silêncio não ajuda.

A menos que deixe claro que repudia inequivocamente as barbaridades cometidas por seus admiradores, ele vai encoraja-los a agir como têm feito: com a intenção de agradar seu guru.

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