sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Espírito Santo é um ensaio do que a dobradinha PMDB-PSDB pode trazer ao Brasil

Espírito Santo ensaio PMDB PSDB dobradinha administração pública

Kiko Nogueira, DCM - Até que o caos ficasse impossível de ignorar e explodisse na cara do país, o Espírito Santo era elogiado como um modelo — ao menos pelos suspeitos de sempre.


Em março, o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, baluarte do pensamento liberal, afirmou que o estado era “uma referência nacional na gestão pública e, em especial, na política de austeridade fiscal”.

“O governador Paulo Hartung assumiu os problemas de frente, foi claro e transparente (…). O Espírito Santo está com as contas em dia. Não foi fácil, mas enfrentou de frente o problema”, falou.



Em outubro, o secretário da Fazenda, Paulo Roberto Ferreira, dissertou para um jornal amigo — como, de resto, toda a mídia local — a respeito do “padrão Espírito Santo de administrar”.

Segundo Ferreira, trata-se de “ter muito respeito ao dinheiro público”. O governador Paulo Hartung, lembrou ele, se orgulhava de manter o equilíbrio “sem colocar no colo do capixaba a culpa da crise”. Tudo “sem aumentar imposto”.


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O blábláblá neoliberal era repetido pelo então vice de Hartung, Casar Colnago, do PSDB, que garantiu em setembro que a população teria “acesso a serviços essenciais como saúde, transporte, segurança publica”.

Há apenas dois meses, Samuel Pessôa, articulista da Folha, cravou que o “ajuste do Espírito Santo é exemplo de lição de casa para Estados endividados”. Pessôa se apresenta como “físico com doutorado em economia, ambos pela USP, sócio da consultoria Reliance e pesquisador associado do Ibre-FGV”.

A parceria PMDBPSDB já funcionava no ES antes de Michel Temer levá-la ao Planalto.

Hartung, que estava licenciado do governo desde a última sexta-feira por causa de uma cirurgia para retirada de um tumor da bexiga, voltou dizendo que não vai pagar o “sequestro” feito pela Polícia Militar.

Nesta quarta, dia 8, Miriam Leitão já corria em seu socorro. Num papo com seu blog, Hartung reitera que não vai ceder à “chantagem” dos policiais e conta que “mesmo com a crise a folha aumentou 11,1%”.

“Segundo ele, a situação vai melhorar um pouco a cada dia”, escreve Miriam. Ah, bom.