quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Espírito Santo que não paga PMs, paga até 117 mil para membros do Judiciário, acima do teto

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Um salário de 50 mil reais, esse é o valor médio mensal que os 27 magistrados do Espírito Santo recebem com os benefícios agregados que vão de auxílio-moradia de R$ 4,3 mil à plano de saúde de R$11 mil. E o salário do atual presidente do TJ-ES, segundo apuração da Revista Época, chega a R$ 117.480,00.


No total, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo chegou a gastar em 2014 mais de R$ 16 milhões apenas com a folha de pagamento dos seus 340 membros e 26 desembargadores, para um orçamento anual estimado em R$ 1 bilhão para cobrir todas as despesas da justiça capixaba.



Se a média em 2014 era de 50 mil, este ano será maior. Isso devido, apesar de toda crise alarmada pelo governador Paulo Hartung, os membros do Tribunal de Justiça terem aprovado, em janeiro, um aumento de 15% sobre as suas remunerações.

No Ministério Público do Espírito Santo a situação é bem semelhante ao do TJ-ES, com seus membros recebendo uma média de 50 mil reais mensais.

Se somados os custos com a folha de pagamento do Tribunal de Justiça e do Ministério Público, o Espírito Santo irá gastar mais de R$ 31 milhões por mês para remunerar o alto escalão do poder judiciário. E as duas instituições consomem 2 bilhões anuais.

Valores esses incompatíveis com os demais servidores dos poderes legislativos, executivo, judiciário e do MP que estão há anos sem sequer receber reposição inflacionária, vendo assim seus salários sendo achatados e o poder de compra diminuir ano após ano.

Apesar da frágil desculpa de independência dos poderes, o que se vê na prática é a falta de autonomia do governador, onde esse sanciona todos os aumentos salariais e propostas de benefícios dos magistrados e membros do MP. Em contrapartida, o governo estadual recebe em troca uma justiça questionável que pouco age a favor do povo e blinda a maioria das ações que questionam os erros do poder executivo, transformando assim suas remunerações e benefícios em um grande balcão de negócios entre os poderes.


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O Sindipúblicos defende que se tenha uma isonomia entre os poderes e que o reajuste salarial seja concedido igualitariamente a TODOS os servidores, afinal o recurso vem de um só caixa, oriundo da contribuição dos trabalhadores e empresas. É imoral membros do TJ-ES, que já têm uma remuneração milhares de vezes maiores que a da maioria da sociedade, em um ano que se diz de crise, ter seus vencimentos aumentados em 15% e enquanto isso, os demais servidores, que fazem efetivamente a máquina pública funcionar, sequer terem tido garantia de alguma recomposição das perdas salariais.

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Fonte: Revista Época