terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Não adiantou tentar esconder: o “Fora Temer” invadiu a Globo no Carnaval

O hit do Carnaval

Por Kiko Nogueira - O Carnaval de 2017 ficará marcado como aquele em que os blocos superaram definitivamente em espontaneidade, criatividade, público e espírito o desfile das escolas de samba e grandes trios elétricos.


Fica cada vez mais claro que a festa nas ruas é muito mais divertida que as paquidérmicas demonstrações de Beija Flor, Gaviões e afins, afogadas em corrupção, com sempre o mesmo samba enredo nonsense, as mesmas estrelas de TV, as homenagens absurdas (ano passado a um ditador africano, este ano a Ivete Sangalo) atreladas a pacotes publicitários.


Com toda a jequice e a dinheirama, carros alegóricos ainda conseguem causar desastres na avenida. Aquilo é a CBF no tamborim.

As ruas têm o pulso do país. E o grito que ecoou foi “Fora Temer”.

De norte a sul, em São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Salvador, os foliões cantaram o pé na bunda do presidente em ritmo de marchinha, dos tambores do Olodum, do que estivesse tocando.

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O jornal San Francisco Chronicle noticiou. O inglês The Guardian noticiou.

A Globo tentou esconder, mas foi atropelada pelos fatos em sua cobertura ininterrupta e insuportável da folia de Momo.

Embora ignorando o assunto no noticiário, que se resumiu às velhas matérias idiotas do gênero “a festa não tem hora para acabar”, foi impossível conter as pessoas ao vivo.

Os pobres coitados dos repórteres obrigados a entrevistar gente bêbada não conseguiram driblar o “Fora Temer”.

Do turista “escocês” em Caraguatatuba (tão escocês quanto uma garrafa de Old Eight), ao cantor que pegou o microfone da emissora e encaixou um protesto no meio da canção, o “Fora Temer” se recusou a ser atirado para debaixo do tapete.

Como diz aquele frevo de Caetano Veloso, “Deus e o Diabo”, que Gal Costa gravou nos anos 70: “Você tenha ou não tenha medo, nego, nega, o carnaval chegou/ Mais cedo ou mais tarde acabo/ de cabo a rabo/ com esta transação de pavor”.

Duro é se conter para não fazer aquela piada da Mangueira entrando na avenida.