terça-feira, 21 de março de 2017

Gilmar Mendes vê “falta de provas” no mensalão tucano, mesmo com um tucano condenado



Jornal GGN – Após incontáveis encontros ao longo dos últimos meses com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), a bancada governista e o próprio presidente Michel Temer, o ministro Gilmar Mendes não apenas não se apresentou impedido de julgar casos relacionados aos políticos no Supremo Tribunal Federal (STF), como também adotou medidas que colocam essas relações sob polêmica.


Agora, Gilmar autorizou a prorrogação por mais 60 dias dos prazos para a conclusão das investigações da Polícia Federal em inquéritos contra Aécio. O que foi analisado desta vez pelo ministro é o caso referente ao chamado mensalão tucano, no qual o senador é suspeito de maquiar dados da CPMI dos Correios, em 2006, para esconder irregularidades entre o Banco Rural e o esquema de corrupção.

Ainda, nas páginas que autorizou estender o prazo, Gilmar não fez uma única referência a Aécio, mas a Eduardo Paes, também investigado no mesmo inquérito. A relação de ambos é de que na época da Comissão Parlamentar, Aécio era governador de Minas Gerais e Paes era secretário-geral do PSDB.

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Também no mesmo caso são investigados o então vice de Aécio, Clésio Andrade, e o senador cassado Delcídio Amaral, que presidiu a Comissão dos Correios.

No despacho, Gilmar ainda já manifesta posicionamento sobre o inquérito: “Tenho que os elementos existentes não são sólidos”. E admitiu que um processo “tem que andar para frente e não em círculos”, fazendo referência ao fato de que ele poderia tanto dar continuidade à investigação, quanto já colocar um fim nela. Mas assumiu que “o trancamento do inquérito seria precipitado”.

Levando em consideração o pedido da Polícia Federal e a manifestação favorável do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, pelo aumento do prazo, Gilmar decidiu que não seria, neste momento, “o caso do arquivamento das investigações em relação a Eduardo Paes”, ressaltou por fim o personagem da mira.

E fez o trabalho de frisar, mais de uma vez: “ressalto que, no momento, não há indiciamento ou acusação formulada. Há um esforço para elucidar se houve fato típico e, em caso positivo, apontar seus responsáveis”.

“Tendo em vista que há outras diligências pendentes, defiro a prorrogação de prazo, nos termos requeridos”, completou.

Furnas

Não foi o único inquérito contra Aécio Neves prolongado por Gilmar. O que apura o esquema de corrupção de Furnas, que acusa o senador tucano de receber propina do diretor da estatal mineira Dilmas Toledo para o partido, também foi atrasado pelo ministro do Supremo, sempre com as ressalvas de que se tratava de uma praxe por “diligências pendentes”.