sábado, 25 de março de 2017

Quando menino saiu do Nordeste para buscar água e voltou trazendo um rio.


De retirante a presidente da República, a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva parece saída de um roteiro cinematográfico.



Detalhes de uma realidade muito brasileira - preconceito, paixão pelo futebol, pobreza, amores, desemprego, ascensão social - pontuaram a vida de Lula desde o primeiro dia.


Em preto-e-branco, a cena de abertura do roteiro poderia mostrar Lula ainda criança, em 1954, pendurado num caminhão pau-de-arara ao lado da mãe, Eurídice, oito irmãos e outros retirantes, deixando Guaranhuns - onde nascera em 1945.


Por quase duas semanas, dormindo embaixo do caminhão e comendo farinha, rapadura e queijo, Lula enfrentou a viagem entre sua cidade-natal no interior de Pernambuco e Vicente de Carvalho, no Guarujá, em São Paulo.

Vendedor

Mais ou menos nessa época, Eurídice descobriu que seu marido - que havia emigrado para Santos (SP) anos antes, e que Lula vira apenas uma vez -, tinha encontrado outra mulher.

Nos três anos seguintes, o menino que sonhava em ser jogador do seu time de coração - o Corínthians -, ajudaria a família vendendo tapioca, amendoim e laranja nas ruas da cidade litorânea.

A família mudaria-se, em 1956, para um quarto nos fundos de um bar no bairro do Ipiranga, São Paulo.

Aos 12 anos, o retirante nordestino encontrou seu primeiro emprego em uma tinturaria. Não durou muito. Nos dois anos seguintes, Lula ajudava em casa como engraxate e office-boy.

A primeira grande conquista aconteceria aos 14 anos, quando ele conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada nos Armazéns Gerais Colúmbia.

Senai

Dali para a Fábrica de Parafusos Marte foi um pulo, e logo - graças ao novo emprego - o futuro presidente da República começou um curso de torneiro-mecânico no Senai.

"Para ele, as fábricas do ABC representavam uma grande oportunidade de ascensão, porque era ali que a elite da classe trabalhadora vivia", afirma a cientista social Margaret Keck, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

"Era uma época de mobilidade social, não de pobres para ricos, mas de pobre para classe média baixa", acrescenta.

Com a especialização, Lula conseguiu um novo emprego. Foi então, numa certa madrugada quando tinha 18 anos, que um colega cochilou enquanto Lula trabalhava em uma prensa.

Como em um filme, um prenúncio simbólico das dificuldades que se aproximam, a máquina se fechou sobre a mão esquerda de Lula e seu dedo mínimo foi decepado.

Dificuldades

A dura realidade, porém, viu o torneiro-mecânico passar dificuldades nos anos seguintes, durante os anos de crise que antecederam ao golpe militar de 1964.

Em 1966, com o governo militar já instaurado, Lula conseguiu um emprego nas Indústrias Villares, uma das principais metalúrgicas do país, em São Bernardo do Campo.

Foi por volta dessa época que Lula iniciou seu romance com Maria de Lourdes, com quem viria a se casar em 1969.

Um ano depois, ela e o primeiro filho do casal morreriam durante o parto.

Lourdes tinha hepatite, mas os médicos não haviam diagnosticado a doença.

Transposição 

Uma das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nos governos petistas e maior empreendimento hídrico brasileiro, a integração do São Francisco irá assegurar a oferta de água a 12 milhões de habitantes de 390 municípios do Semiárido Nordestino.

Ideias para combater a seca com projetos de engenharia já existem desde o Império, mas só se tornaram realidade a partir do governo de Lula, que conseguiu aprovação no Conselho Nacional de Recursos Hídricos em 2005 e iniciou as obras em 2007. Os trabalhos seguiram em execução sob o comando de Dilma Rousseff, de 2011 a 2016, chegando a quase 90% da execução total.

Com investimento previsto de R$ 9,6 bilhões do Orçamento da União, o projeto de integração do São Francisco teve, até abril de 2016, R$ 7,95 bilhões executados com dinheiro do Orçamento da União. Isso significa que nada menos do que 86,3% da obra estavam concluídos.

Quando inaugurou a primeira estação de bombeamento do eixo norte, em agosto de 2015, a presidenta Dilma afirmou que era um momento histórico, pois o projeto tinha mais de 150 anos e só saiu do papel pelo empenho de Lula.

“Há nessa obra uma questão de vontade política. Eu me refiro ao presidente Lula. É uma obra que esteve em pauta durante 150 anos. Precisou que um nordestino fosse eleito presidente. Que esse nordestino tivesse sido praticamente expulso de sua casa aqui em Pernambuco, que tivesse vindo para São Paulo e soubesse o preço, o custo em termos de vidas, de perspectiva de futuro e esperança que a seca impunha para a população do Nordeste. E aí, a vontade de fazer foi muito importante, por isso eu me refiro a ele porque teve um papel decisivo para que essa obra ocorresse”, salientou Dilma.