quarta-feira, 8 de março de 2017

Temer impediu Marcela de falar em homenagem às mulheres porque o lugar delas é no supermercado


Por Kiko Nogueira - O pronunciamento de Michel Temer no Dia Internacional da Mulher é antológico. Não apenas pelas platitudes, mas pelo anacronismo.



Não está confirmado o dedo de Ricardo Noblat, seu assessor de imprensa informal.


O cidadão que confundiu Carlos Magno com rei Artur poderia ter ficado calado e dar a palavra a Marcela. Seria uma atitude cavalheiresca e de bom senso.

A vaidade invencível casada com a ignorância galopante fez com que ele deixasse a patroa sentadinha no lugar que lhe é reservado nos fundos do palco.




Temer tem “absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos”.

Se a sociedade “vai bem”, é porque as pessoas tiveram boa formação em casa, “e quem faz isso é a mulher”.

E aí brilhou: “Na economia também a mulher tem grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes de preços no supermercado do que a mulher.”

Elas “ocupam o primeiro grau em todas as sociedades”. Michel fica devendo o que significa essa graduação.

Homens e mulheres, segundo o presidente, estão “igualmente empregados, com algumas restrições. Mas a gente vê como a mulher ocupa espaço executivo de grande relevância”.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, registou que elas trabalham 7,5 horas a mais que eles, em média, por semana. Marcela, bacharel em Direito, não pega no batente e é proibida pelo marido de falar.

Ressaltou a presença feminina no Congresso. Reportagem da DW registra que, para cumprir a meta de 30% de candidaturas femininas, partidos registram mulheres que não recebem votos. A fraude chama a atenção para as “candidatas laranjas”.

Na Câmara, dos 513 deputados, 55 são senhoras. No Senado, são doze de um total de 81.

Ao final do vexame, com as pessoas em choque, Marcela teve dois minutos para não dizer nada.

Mesmo para os parâmetros de indigência nacional, Michel é uma vergonha. Corra, Marcela, corra.