segunda-feira, 29 de maio de 2017

Conheça o bunker luxuoso onde Aécio Neves se refugia no Lago Sul

Daniel Ferreira/Metrópoles

Metrópole - Na mira da Lava Jato, o senador afastado Aécio Neves (PSDB/MG) está recluso em um luxuoso bunker, no Lago Sul. A mansão onde mora com a família desde 2015 tem sido um espaço de conversas e reuniões com assessores, advogados e amigos. É na casa de dois andares, mais de 2,5 mil metros quadrados, jardim com paisagismo elaborado e piscina semiolímpica que o tucano se mantém afastado da cena política pública desde que as delações de Joesley Batista, dono da JBS, vieram à tona.


A propriedade é localizada em uma das áreas mais nobres de Brasília e está orçada em R$ 7 milhões. O aluguel desembolsado pelo tucano, há dois anos, é de R$ 25 mil mensais, valor que praticamente abocanha toda a remuneração de senador, de R$ 33.763. Apesar do alto valor da locação, ela já vem com desconto. Nada menos do que R$ 10 mil. Aécio conseguiu o preço “camarada” com o dono do imóvel.


O anúncio de aluguel da casa em nome de Leonardo Soares da Silva Landim previa o pagamento de R$ 35 mil mensais. Mas Aécio e a esposa, Letícia Weber Neves, conseguiram negociar diretamente com o proprietário e conseguiram o abatimento. Eles foram indicados por um amigo de Aécio para conversar com Landim, quando o proprietário ainda morava em Brasília. Dono de pelo menos outros dois imóveis na capital, o empresário reside atualmente em Florença, na Itália. No Brasil, tem em seu nome a SN Investimentos e Participações Imobiliários.

Pacote completo

O senador afastado e a esposa fecharam o acordo com a casa toda mobiliada. Para morar com os gêmeos que teve com a mulher, ele mantém uma mansão com cinco suítes, sala de estar, cozinha, uma extensa mesa de jantar e três lavabos. O imóvel é novo. Foi construído há apenas seis anos.


Obras de arte ocupam os corredores, junto com tapetes luxuosos. Além do jardim planejado com palmeiras Cica, o cartão de visitas do bunker é uma obra de arte branca, semelhante às esculturas de Bruno Giorgi. O artista brasileiro é autor de peças conhecidas como Meteoro, que fica no lago do edifício do Ministério das Relações Exteriores, e Os candangos, na Praça dos Três Poderes.

Chama atenção a piscina semiolímpica de 25 metros, que ocupa quase toda a extensão lateral do terreno. É a maior da quadra.

É nesse refúgio que Aécio se mantém fora das atividades parlamentares desde 18 de maio, quando foi afastado do Senado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada após Joesley ter divulgado áudio em que o senador pede R$ 2 milhões ao dono do frigorífico. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acionou a Corte para que Aécio seja preso.

Durante a Operação Patmos, deflagrada pela Polícia Federal no mesmo dia, o primo do senador afastado, Frederico Medeiros, e a irmã do tucano, Andrea Neves, acabaram presos. Assessora, Andrea é fiel escudeira de Aécio e o blindava de assuntos espinhosos na relação com a imprensa. Sem essa proteção, ele tem falado pouco.

Em seu único pronunciamento após a delação, afirmou em vídeo que o dinheiro seria um empréstimo para pagar advogados e que não cometeu nenhum ato ilícito. Disse ainda que não “fez dinheiro na vida pública”. Os dados de campanha, no entanto, mostram que, em quatro anos (entre 2010 e 2014), o patrimônio do tucano saltou de R$ 617.938,42 para R$ 2.491.876,65.

Acusações

Em reportagens anteriores, o PSDB disse que o patrimônio de Aécio cresceu devido à herança deixada pelo pai dele, Aécio Ferreira da Cunha, que morreu em 2010.

As visitas

Diariamente, carros vêm e vão na porta da residência em acessos feitos de forma rápida e discreta. Alguns optam por serviços de táxi e transporte particular de passageiros, como o Uber. As visitas ligam, pedem autorização para entrar e entram na residência com rapidez.

Presença recorrente na casa do senador afastado é a do chefe de gabinete dele, Flávio Alencastro. Também estiveram no endereço, nos últimos dias, Otávio Cabral, um dos assessores da campanha de Aécio à presidência da República, em 2014; o assessor de imprensa Fabiano Lana; e José Eduardo Alckmin, um dos advogados do tucano.

Muitos dos encontros são realizados no térreo, em uma sala ao lado da porta principal, sempre com as persianas fechadas. As seis câmeras do lado externo e o sensor de movimento próximo ao estacionamento monitoram quem se aproxima.

Segundo pessoas ligadas a Aécio e ouvidas pela reportagem, a família Neves mantém um perfil discreto. Não recebe muitos visitantes, em tempos comuns. O primeiro grande evento na casa seria o aniversário de três anos dos gêmeos, filhos do casal. No entanto, depois das denúncias de Joesley, a mulher do político decidiu cancelar o evento que ocorreria no fim de junho.

Salto bancário

A luxuosa mansão é compatível com o padrão de vida da família Neves. Na declaração de bens de Aécio entregue ao Tribunal Superior Eleitoral, em 2014, constam um apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro; outro no bairro de Anchieta, em Belo Horizonte; além de três lotes em Nova Lima (MG) e um terreno rural no município de Cláudio (MG). O valor somado é de R$ 435 mil. Em preços atuais, porém, podem passar da casa dos milhões.

Embora não estejam declarados em nome do senador afastado, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal cumpriram mandados em outros endereços no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em Brasília, que são da família Neves. O apartamento do Rio, na Vieira Souto, custa aproximadamente R$ 12 milhões. Na capital mineira, o preço de um apartamento no Parque dos Bandeirantes, no bairro Anchieta, chega a R$ 1 milhão.

Aécio também mantém 88 mil cotas da Rádio Arco Íris Ltda, que valem R$ 700 mil. Há ainda, em seu patrimônio, ações mais baratas: dos Diários Associados, responsável por jornais de grande circulação em Minas Gerais e no Distrito Federal. Elas valem R$ 0,09 centavos.

No Senado, ele optou por não fazer uso do auxílio-moradia de R$ 5.500 nem de imóvel funcional. Aécio não recebe também pensão por ser ex-governador do Estado de Minas Gerais, benefício que foi revogado em 2011, mas que, por decisão judicial, é pago a Francelino Pereira dos Santos e Eduardo Brandão de Azeredo, dois ex-gestores da capital mineira, no valor de R$ 10.500 por mês.

Aécio Neves foi governador de Minas Gerais de 2003 a 2010. De acordo com a assessoria de imprensa do senador afastado, os bens foram todos declarados à Receita Federal. “Em Brasília, o senador é locatário do imóvel em que reside com sua família desde 2015. Ele não é o proprietário. O aluguel é pago com recursos do senador”, afirmaram os assessores.

Confira fotos no link.