quinta-feira, 18 de maio de 2017

Direita parou o Brasil quando Dilma indicou Lula. Com Temer, nada faz.

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Tereza Cruvinel - Michel Temer, agora investigado pelo STF por crimes cometidos no mandato, deve estar vivendo suas últimas horas no cargo. Vai sair pela portas dos fundos, vai sair como um gatuno vulgar que, por muitos anos, disfarçou-se de político habilidoso. Muito se dirá sobre os 12 meses tenebrosos em que ele governou o Brasil após o golpe parlamentar de 2016 e sobre as razões de sua queda. Mas, antes que ele vire cachorro morto, quando até os bajuladores que teve no período irão espancá-lo, quero destacar uma característica que nenhum outro governante exibiu de forma tão acintosa: a vulgaridade no poder. 


A vulgaridade na política se manifesta quando alguém exerce o poder sem cultura e sem preparo intelectual para o cargo e, também, em sua forma mais grave, quando um governante o exerce sem condições morais para tanto, sem enfrentar dilemas e limites éticos, o que em algum momento acaba levando à queda no abismo, como acontece agora com Temer. Como já aconteceu, ao longo da História, com imperadores e tiranos que se entregaram à vulgaridade no poder.


Não falemos da vulgaridade intelectual de Temer, de sua incultura, de suja abordagem superficial e rasa das questões mais relevantes ou graves. Sem pisar na norma culta da Língua, como fazia Lula despertando as iras da imprensa e dos críticos, Temer passou um ano dizendo platitudes e besteiras que não incomodaram os que o ajudaram a chegar lá.

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Fiquemos na vulgaridade moral, que só não viu quem não quis, muito antes destas revelações sobre seu encontro com Joesley Batista.

Há pouco alguém ligado a Temer me dizia que ele caiu numa cilada da PF e do Ministério Público. Reclamou do ministro da Justiça, por não ter sabido de nada. Eis aí uma prova de sua vulgaridade. Acostumado a conduzir tratativas nada republicanas, em que já foram discutidas propinas, inclusive uma vultosa, de R$ 40 milhões, em que pedia contribuições eleitorais de R$ 10 milhões, como fez no encontro com Marcelo Odebrecht, acostumado a todo tipo de traficâncias na relação com os poderosos, Temer portou-se como um peixe n”água na conversa com Joesley. Ali estava mais um magnata a quem poderia servir em troca de vantagens e de apoio político.

- Isso tem que ser mantido, viu?

Isso o quê mesmo? O mensalão pago pela JBS a Eduardo Cunha para que não fizesse delação premiada. Poisa se fizesse, mandaria Temer para o espaço.

Além disso, Temer repassou ao empresário informações privilegiadas sobre queda nos juros e ofereceu cargos em vários órgãos sensíveis, o que lhe renderia, é claro, vantagens indevidas. Fiquemos com o eufeminismo jurídico para corrupção. O que significa o pagamento de propina a Rodrigo Loures, com quem Temer mandou Joesley tratar dos problemas enfrentados por sua empresa? Batista perguntou se poderia tratar “de tudo” com Loures. “De tudo”, confirmou Temer. “Tudo”, está claro, inclui a propina que foi paga a Loures e foi documentada pela PF.

A vulgaridade moral, entretanto, perpassou toda a sua passagem pela presidência. Nos últimos dias, Temer distribuiu bilhões de reais para a plutocracia empresarial em troca de votos para as reformas neoliberais, que vinha utilizando como moeda na busca de apoio do mercado. Nos últimos dias houve um perdão de R$ 25 bilhoes para o Banco Itaú, de R$ 10 bilhões para os ruralistas que não pagam o Funrural, de R$ 8 bilhões do Refis para empresas urbanas, de bilhões não calculados em renovação de contratos de concessão...E no entanto, os que só agora se dizem decepcionados com ele trataram tudo isso com naturalidade. A começar pela imprensa.

Enquanto destruía políticas sociais e retirava direitos e conquistas ínfimas dos mais pobres, inclusive aposentadorias por invalidez, Temer ia além de todos os limites e das próprias aparências para proteger seus aliados encalacrados. Manter no governo ministros investigados como Padilha, Moreira e outros tantos, em qualquer país, seria visto como uma vulgaridade intolerável. Trump, que promete muita vulgaridade na presidência dos EUA, por muito menos já está sendo confrontado.

Aqui, entretanto, não houve uma insurgência geral contra os arreganhos, os abusos e a vulgaridade de Temer. Muito pelo contrário, ele contou com grande indulgênica da mídia, de organizações da sociedade civil e do próprio Judiciário.

Ainda esta semana, Temer ficou raivoso quando se soube que a babá de seu filho era paga pelo erário.Ocupa função de confiança no Planalto. cargo público de confiança. Sentindo-se firme no cargo, com um prato de melado à sua frente, parecia acreditar que o Brasil havia renunciado a qualquer exigência moral em relação a ele. Podia transgredir à vontade. Afinal, chegara à Presidência após um impeachment cometido em nome da moralidade, emobra não tenham podido acusar Dilma de corrupção.

Eis que, com as revelações sobre seu encontro com Joesley – embora os áudios ainda não tenham sido divulgados – os brasileiros resolvem dizer “basta” e a própria elite política e empresarial constata que não dá mais para segurar. Decide livrar-se dele. O homem, afinal, não passa de um rato vulgar.

Temer desce ao mais ‘baixo nível’, brinca com dinheiro público e nomeia babá de filho como assessora do gabinete presidencial. E a direita, nada faz.