quinta-feira, 25 de maio de 2017

Doleiro preso por tráfico ajudaria Aécio na lavagem de propina, suspeita Lava Jato



Jornal GGN - No documento em que reforça o pedido de prisão contra Aécio Neves ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República Rodrigo Janot revela que além da empresa da família Perrela, um doleiro condenado por tráfico internacional de diamentes é suspeito de ajudar o senador mineiro na lavagem da propina que ele teria recebido da JBS.


Nas investigações sobre o caso, a Polícia Federal flagrou o assessor parlamentar de Zezé Perrela, Mendherson Souza Lima, conversando de maneira cifrada com o doleiro Gaby Amine Toufic Madi, condenado a 7 anos de prisão em 2016.


​Aécio admite que pediu à JBS R$ 2 milhões com a desculpa de que precisava de dinheiro para pagar sua defesa na Lava Jato. O senador, que trata o pagamento como um "empréstimo pessoal", contudo, não explicou porque o dinheiro foi entregue em 4 parcelas de R$ 500 mil ao seu primo, Frederico Pacheco, que, por sua vez, repassou as malas ao assessor de Perrela.

   
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A Polícia, além de filmar e rastrear o caminho do dinheiro, sabe que parte dos recursos entrou numa das empresas da família Perrela e, depois, foi fatiado e depositado de volta em nome de Fred e Mendherson. 

No despacho ao Supremo Tribunal Federal, Janot sinaliza que parte do montante seria destinado, também, ao doleiro, que poderia ajudar a dar aparência de legalidade aos recursos pagos a Aécio pela JBS.

"No que tange aos recursos pagos e acautelados por Mendherson, há um diálogo captado pela Polícia Federal, no dia 12/4/2017, ou seja, no mesmo dia do recebimento do dinheiro em São Paulo, no qual Mendherson mantém conversa cifradamente com Gaby Amine Toufic Madi, indicativo de que este tinha conhecimento acerca do evento ocorrido em São Paulo”, diz Janot.

“É um doleiro, recém condenado a sete anos e meio pela 4ª Vara Federal da Justiça Federal de Minas Gerais (...) e pode estar atuando na lavagem de parte dos recursos ilícitos”, acrescenta.

A Polícia Federal investigava o tráfico de diamantes com participação do doleiro em 2016, quando apurava-se, ainda a possibilidade de envolvimento com o libanês Hassan Ahmad, acusado de mandar ao exterior US$ 1 bilhão em pedras preciosas brasileiras. Na época, a família Ahmad foi denunciada pela ONU por exploração ilegal de diamantes na África, lembrou o Brasil 247.

Delatores da JBS disseram à Lava Jato que os R$ 2 milhões não se tratavam de empréstimo, mas de propina para que Aécio não criasse problemas ao frigorífico.

Além do assessor e do primo de Aécio, Andrea Neves, irmã do senador, também está presa por ter feito contatos com Joesley Batista.