segunda-feira, 15 de maio de 2017

Enquanto corta dos pobres, Temer perdoa 35 bilhões em dívidas de banqueiros e deputados



Líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann (PT-PR) comenta, em entrevista à jornalista Tereza Cruvinel, a tentativa do governo Temer, nesta semana, de liquidar com os prazos de tramitação da reforma trabalhista para aprová-la a toque de caixa, embora o regime de urgência não tenha sido aprovado; “Enquanto prepara a aprovação das reformas a toque de caixa, o governo distribui bilhões a bancos e empresas. Os brasileiros precisam saber disso. Precisamos elevar a nossa voz”, diz;



 “Este governo cruel com os pobres acaba de perdoar débitos tributários do Banco Itaú que chegam a R$ 25 bilhões. A MP 766, com o novo Refis, deu a grandes empresários um perdão de dívidas que passará dos R$ 8 bilhões, e entre estes devedores muitos são parlamentares. Aprovamos também a MP das concessões, que permite a prorrogação dos contratos de concessão de grandes empresas sem realizar novas licitações. Isso também vale bilhões”, enumera a parlamentar


O jogo ficou mais pesado, concorda a líder do PT no Senado, senadora Gleisi Hoffmann, tanto na ofensiva da Lava Jato contra Lula e Dilma como na marcha do governo Temer para impor sua agenda conservadora e aprovar as reformas a toque de caixa, enquanto distribui favores bilionários a bancos e empresas. Na reunião de hoje da bancada petista Gleisi colocará em pauta o desafio da oposição de denunciar o recrudescimento do golpe e ao mesmo tempo ampliar as formas de resistência e luta.

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Esta semana, no Senado, o Governo tentará liquidar com os prazos de tramitação da reforma trabalhista para aprová-la a toque de caixa, embora o regime de urgência não tenha sido aprovado. “Enquanto prepara a aprovação das reformas a toque de caixa, o governo distribui bilhões a bancos e empresas. Os brasileiros precisam saber disso. Precisamos elevar a nossa voz”, diz ela enumerando as bondades de Temer, o Robin Hood às avessas, que nas últimas semanas fez agrados bilionários à plutocracia nacional.

– Este governo cruel com os pobres acaba de perdoar débitos tributários do Banco Itaú que chegam a R$ 25 bilhões. A MP 766, com o novo Refis, deu a grandes empresários um perdão de dívidas que passará dos R$ 8 bilhões, e entre estes devedores muitos são parlamentares. Aprovamos também a MP das concessões, que permite a prorrogação dos contratos de concessão de grandes empresas sem realizar novas licitações. Isso também vale bilhões. Agora, o governo está anunciando uma anistia de R$ 10 bilhões aos produtores rurais que devem ao Funrural, para garantir votos da bancada ruralista à reforma trabalhista. Depois desta transfusão de recursos públicos para os mais ricos, o governo quer aprovar, sem debate, sem negociação, na base do compressor, esta reforma que retira direitos e instaura a insegurança no trabalho – diz Gleisi.

Segundo a senadora, o governo tentará esta semana realizar as audiências públicas previstas para as comissões de Assuntos Econômicos, CCJ e Assuntos Sociais, criando condições para votar o texto na semana que vem. O relator na CAE é o senador Ricardo Ferraço. Na CCJ é o campeão nacional de relatorias e eterno líder de todos os governos Romero Jucá. A dissidência de Renan Calheiros parece ter sido neutralizada pelo governo com afagos aos peemedebista. Enquanto isso, na Câmara, o terreno vai sendo aplainado, com favores e afagos, para a votação da reforma previdenciária no plenário.

– Precisamos avaliar a conjuntura com realismo e clareza. Há mesmo um recrudescimento na frente judicial, onde já basta o esforço para criminalizar o presidente Lula. Eles agora querem também desconstruir a imagem da presidente Dilma, porque não suportam que ela permaneça em cena denunciando o golpe. E há esta marcha batida na frente parlamentar para aprovar as reformas que a população rejeita – diz Gleisi.

Mas, realisticamente, ela acrescenta, a resistência também tem se ampliado.

– Tivemos a marcha das mulheres contra as reformas, os protestos de 15 de março, a greve de 28 de abril e a grande manifestação de Curitiba em apoio ao presidente Lula. A conjuntura está exigindo que falemos mais alto. Não podemos ser mansos, não podemos baixar a guarda. Temos buscar mais unidade na sociedade civil e entre as forças de oposição pois outra coisa também é certa: os brasileiros compreendem e rejeitam cada vez mais o programa do golpe – diz a senadora.