domingo, 21 de maio de 2017

No mesmo dia da ligação de Aécio, Gilmar suspendeu seu depoimento em Furnas



247 – “Meus adversários não resistem à uma busca no Google”. A frase de Dilma Rousseff, mais um vez, mostra-se certeira. A interceptação das ligações telefônicas entre Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e o senador Aécio Neves (PSDB/MG) revela a ação do ministro para adiar o julgamento de um inquérito sobre corrupção na central elétrica de Furnas, em MG.




A ligação interceptada pela Polícia Federal foi realizada em 26 de abril de 2017. No telefonema, Aécio liga para Mendes para obter apoio do senador Flexa Ribeiro, um dos outros dois membros da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, para votar o projeto de lei contra abuso de autoridade por parte do Poder Judiciário e do Ministério Público. A ideia dos congressistas é a de aplacar a fúria dos procuradores da Operação Lava Jato.


No entanto, além da combinação de votos no Senado, a ligação telefônica desencadeou outra ação de Mendes em favor de Aécio. No mesmo dia 26 de abril de 2017, o ministro do STF cancelou o depoimento de Aécio sobre seu envolvimento nos casos de corrupção em Furnas. Em delação premiada, o doleiro Alberto Youssef comentou que “Aécio dividia uma diretoria de Furnas com o PP e recebia pagamentos mensais da estatal por meio da sua irmã Andreia Neves”.

  
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Relator do inquérito no STF, Mendes também permitiu que Aécio tivesse acesso a depoimentos já prestados no caso. Para Mendes, a dilgência policial já estava concluída, por isso os envolvidos poderiam ter acesso aos autos do processo. O argumento de Mendes contrariava as recomendações da Polícia Federal, que ainda fazia investigações no caso.