segunda-feira, 29 de maio de 2017

Troca de e-mails mostra propina de R$ 100 mil a Magno Malta, que fez festa em jatinho particular


Trechos de e-mails trocados entre diretores, assessores e funcionários de uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país sugerem o pagamento de R$ 100 mil não declarados para o senador Magno Malta (PR-ES). As conversas aconteceram em 8 de setembro de 2014 e obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo – que as divulgou neste domingo (14).


As conversas envolvem o presidente da empresa, Victor Costa, seu filho e então gerente financeiro, Daniel Costa, e Hugo Gabrich, que era assessor da Itatiaia.

Segundo as mensagens, além de ter recebido verba não declarada, o senador usou o avião da empresa em pelo menos duas ocasiões, em 2012 e 2013. O senador evangélico admite que voou no avião da empresa para fazer palestras.


Um dos trechos da conversa entre o presidente da empresa e seu filho, Daniel Costa, diz que o dinheiro foi desviado de uma nota fiscal de serviço prestado pela empresa Vix Consulting. Leia o diálogo:

– Os outros 100.000 são para compensar a retirada em dinheiro de R$ 100.000 do Malta. Não sei como foi contabilizado [a saída desse valor da empresa] – escreve o presidente da firma.

– Quem realizou o pagamento do Malta? Existe NF, foi declarado a doação? – pergunta o filho dele

– Não existe NF, não declaramos. Está em aberto, talvez como adiantamento para mim. Veja com Lailton [tesoureiro da empresa]. Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto – encerra Victor Costa.

Em outras mensagens, entre Gabrich e Malta, o senador diz que não tem conhecimento dos valores, mas o ex-assessor da Itatiaia encaminha os e-mails que o envolvem e recebe como resposta: “Somos amigo Hugo… Sempre fomos” [sic].

Jatinho

Os e-mails ainda indicam que a diretoria da empresa tentou se afastar de Magno Malta depois que o senador causou problemas ao utilizar o avião particular da Itatiaia. O ex-diretor da firma, Beto Rigoni, reclama que Magno voou com mais pessoas que o permitido e que fez uma verdadeira festa durante o trajeto, ao que Victor Costa responde que eles precisam “cortá-lo”, porque os acionistas não queriam muita proximidade.