quarta-feira, 21 de junho de 2017

Doria mantém apoio a Temer e diz 'duvidar' de Joesley Batista


RIO – O prefeito de São Paulo, João Dória, manteve nesta segunda-feira sua posição de que o PSDB deve continuar apoiando e integrando o governo Michel Temer, ainda que “revisando diariamente” esta posição. Segundo o prefeito paulistano, a entrevista do dono da JBS, Joesley Batista, à revista “Época” no último fim-de-semana, não configura uma fato novo a ponto de fazer o presidente da República deixar de merecer o apoio dos tucanos. Dória disse não acreditar nas afirmações de Joesley.


— No Joesley? Olha, quem fez o que fez, e como fez, é para se duvidar — afirmou, após dar palestra para mais de 200 empresários no Copacabana Palace, no Rio. — Uma coisa é uma entrevista, não se pode sair penalizando as pessoas por isso. A palavra que importa é da Justiça. Se houver alguma situação que implique o presidente Temer num culpa flagrante, o PSDB deve rever esse apoio. Enquanto isso, não dá para precipitar um juízo. Diariamente, há de se fazer uma revisão. Enquanto merecer a estabilidade governamental com os ministros do PSDB, a meu ver o PSDB deve oferecer essa garantia.


Dória respondeu também a críticas internas do PSDB, notadamente da ala mais jovem da bancada do partido na Câmara dos Deputados, que defendia o rompimento com o governo, e chegou a classificar a manutenção do apoio como uma “traição à história do partido”.

— Antes de pensar em traição ao PSDB, tem de pensar em traição ao país. Temos de servir antes ao povo que ao partido. Não acho que tenha que primeiro salvaguardar a legenda, ou seu interesse pessoal ou político. Brasil vive grave crise. Mais importante que a biografia partidária é a biografia do Brasil.

Sobre a possibilidade de prisão do senador Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB, Dória se esquivou de comentar antes de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgará o pedido de prisão nesta terça-feira.

— É um momento de fato delicado para o PSDB. Vamos aguardar o julgamento.

Em um dos salões do Copacabana Palace, Dória falou sobre gestão de cidade para uma plateia de empresários. Também comentou sobre política, reafirmando suas críticas às gestões do PT no governo federal e particularmente ao ex-presidente Lula, a quem chamou de “maior sem-vergonha do Brasil”. Ao falar com os jornalistas, discordou da avaliação de que o encontro desta segunda-feira com empresários do Rio seja uma agenda típica de um pré-candidato à Presidência da República.

— Não e hora. Não sou candidato, não me apresento como tal. Eu me apresento como prefeito de São Paulo, falo sobre o Brasil porque é um direito que me cabe, como prefeito da maior cidade brasileira, e não escondo minhas posições.

‘RELAÇÃO DE CORAÇÃO’ COM CRIVELLA

Antes da palestra, Dória foi homenageado por políticos tucanos do Rio e se encontrou com o prefeito carioca Marcelo Crivella, de quem se disse amigo “há 30 anos”. Os dois trocaram elogios.

— Crivella é meu amigo de longuíssima data, uma amizade de pai para filho, pois era amigo do meu pai. É uma relação de coração, não depende de partido ou ideologia. Tenho conversado bastante com ele e temos intercambiado experiências bem-sucedidas entre as duas gestões — disse o prefeito de São Paulo.

— Neste momento do país, o nome do Dória paira acima de qualquer dúvida. Não fazemos populismo, não enganamos o povo, não somos prefeitos de falsas promessas. Tudo isso nos identifica — devolveu Crivella.

Dória recebeu do vereador tucano do Rio Felipe Michel a medalha São Francisco de Assis, honraria concedida pela Câmara Municipal a quem presta serviço às causas dos animais.

O Globo