terça-feira, 13 de junho de 2017

Temer distribui cargos para enterrar investigações da JBS contra ele, Aécio e aliados


Jornal GGN – O governo Michel Temer já começou a esboçar um plano para fazer a investigação da força-tarefa da Lava Jato sobre o escândalo da JBS acabar em pizza. Segundo reportagem da Folha, a ação passa pela compra de votos na Câmara com distribuição de cargos e emendas parlamentares, além do estabelecimento de um cronograma de tramitação mais rápida. Por fim, Temer ainda pretende nomear para a Comissão de Constituição e Justiça um relator de sua confiança.


A investigação contra Temer iniciada após a JBS revelar conversa em que o presidente teria dado aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha, além de ouvir relatos de obstrução de Justiça por parte de Joesley Batista, terá na Câmara um caminho parecido com o processo de impeachment.


Assim que o Supremo Tribunal Federal o pedido de processo contra Temer da Procuradoria-Geral da República, a CCJ da Câmara será acionada para analisar se a demanda atende os requisitos legais. Depois disso, será encaminha ao plenário da Casa, que terá de dar permissão para que o presidente seja julgado por 2/3 dos votos. É para garantir 1/3 em seu favor que Temer, segundo a Folha, tem distribuído benesses ao chamado centrão.

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Na CCJ, a expectativa era de que levassem pelo menos 15 sessões para conclusão da fase inicial do possível julgamento de Temer. Mas o presidente quer acelerar a tramitação e concluir tudo em 5 sessões, antes de 18 de julho, quando a Câmara entra em recesso parlamentar.

“O objetivo é tentar encurtar a crise política, evitando que ela se estenda para o segundo semestre e continue a afetar o cronograma de votação da reforma previdenciária, cuja nova expectativa é de que fique apenas para agosto”, disse a Folha.
O jornal afirmou que o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB), concorda com o plano de Temer. “Como a indicação do relator cabe ao presidente da comissão, o Palácio do Planalto tem defendido que seja escolhido um nome que seja de confiança do presidente, mas que também tenha conhecimento jurídico e perfil técnico.” O favorito é Alceu Moreira (PMDB), que esteve com o presidente na segunda-feira (12).

Ainda de acordo com o jornal, Temer “começou a fazer o mapa de votação da denúncia na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e a estruturar estratégia para reduzir o máximo possível o número de sessões regimentais.” Ele também já começou a negociação de cargos com partidos do centrão.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, prorrogou no último dia 12 o prazo para a Polícia Federal relatar o inquérito de Temer. O novo prazo encerra-se em 17 de junho.

“Em tese, após o inquérito ser concluído pela PF, a Procuradoria-Geral da República tem até cinco dias para oferecer denúncia ou pedir arquivamento. O órgão também pode apresentar denúncia antes de o relatório da PF ser concluído”, lembrou a Folha.