sexta-feira, 9 de junho de 2017

Temer jorra milhões para Tvs e rádios de seus aliados políticos para apoia-lo

Resultado de imagem para Temer jorra milhões para Tvs e rádios de seus aliados políticos para apoia-lo

Por Conceição Lemes, do Viomundo - A base política que sustenta o governo Temer no Congresso tem forte presença em importantes mercados de mídia, constatou a pesquisadora Pâmela Araújo Pinto, que investigou o assunto nas regiões Norte e Sul do país.


Ela analisou o mercado em 392 veículos de 29 cidades do Norte e 824 veículos de 58 municípios do Sul

Identificou 90 políticos donos de meios de comunicação nas duas regiões.


A concentração da mídia no Brasil já é um dado denunciado mundialmente, assim como a associação do maior conglomerado, o Grupo Globo, com as oligarquias locais — construída especialmente durante a ditadura militar.

Porém, há carência de estudos regionais.

Na conjuntura atual, chama a atenção o papel essencial de alguns políticos donos de veículos regionais na sustentação do governo Temer: o presidente do PMDB, Romero Jucá, o ministro da Saúde Ricardo Barros e o senador Jader Barbalho, por exemplo.

Confira também, Fora de controle, Gilmar Mendes recebe resposta de Herman Benjamin

O apresentador Ratinho, do SBT, fez recentemente uma entrevista em que declarou apoio aberto a Temer. Ele controla o Grupo Massa, do Paraná, que assim como toda a grande mídia tem recebido — direta ou indiretamente, via rede nacional — investimentos maciços do governo federal para promover as reformas trabalhista e da Previdência.

Fica constatada, assim, uma imensa troca de favores bancada com dinheiro público, ao mesmo tempo em que o Planalto justifica as reformas que retiram direitos dos trabalhadores pela carência de recursos.

Pâmela é professora substituta da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ) e concedeu entrevista por escrito ao Viomundo:

Viomundo: Por que decidiu fazer a pesquisa?

Sou maranhense e sei o quanto o controle da mídia por políticos limita o desenvolvimento de um lugar (cidade ou estado). Lá as quatro afiliadas às principais redes de TVs são de políticos. A Globo até este ano pertenceu à família Sarney — foi vendida; a afiliada ao SBT, TV Difusora, está com a família do senador Edson Lobão; a TV Cidade, afiliada à Record, pertence à família do senador Roberto Rocha; a Band local está afiliada à família do político e ex-deputado estadual Manoel Ribeiro. Infelizmente, esse cenário é comum em outras partes do Brasil. Foi o que descobri com a pesquisa.

Viomundo: Qual o objetivo do estudo?

No doutorado, decidi estudar o maior (depois do Sudeste) e o menor mercado de mídia regional do Brasil, por isso escolhi as regiões Sul e Norte, respectivamente. Meu objetivo era entender como as empresas se organizavam, o seu impacto nesses espaços e descobrir se havia semelhança, pois as diferenças eu já imaginava que eram certas — por questões socioeconômicas. Eu também já morei no Amazonas e sabia como a questão da mídia, do acesso era mais complexa.

Também procurei entender o impacto do controle da mídia nas duas regiões por políticos, pois mesmo na academia ainda se pensa que esse controle é algo apenas de regiões mais pobres, como o Nordeste.

Busquei os grupos de mídia de capitais das duas áreas e cidades de médio e pequeno porte. Localizei grupos afiliados às grandes redes de TV (Globo, SBT, Record, Band e Rede TV) , afiliados às redes de rádio (CBN, Jovem Pan, Transamérica) e também grupos menores e independentes desses elos com mídias nacionais.

Como regra, no Norte e no Sul, encontrei uma mídia regional muito concentrada, ou seja, pertencente a poucos grupos, e com fortes vínculos com redes de mídia de cobertura nacional.

O vínculo desses grupos locais com as grandes empresas nacionais acaba fortalecendo conglomerados regionais. Essas empresas são as mais atrativas para as empresas locais fazerem anúncios, o que enfraquece iniciativas alternativas de mídia.

Viomundo: Quais os principais exemplos você encontrou de famílias que controlam a mídia local e/ou regional?

A propriedade de mídia por políticos ocorreu com bastante intensidade nas cidades que pesquisei no Norte e no Sul. Isso desmonta alguns preconceitos, pois localizei mais políticos no Sul, a região mais desenvolvida socioeconomicamente.

Identifiquei 34 políticos ligados a 26 grupos de mídia nos sete estados do Norte. No Sul localizei 56 políticos ligados a 41 grupos, nos três estados.

Os políticos usam suas empresas de mídia para se manter nos cargos, pois ampliam sua visibilidade continuamente. Eles transferem essa influência hereditariamente, pois também elegem parentes próximos.

No Norte os casos dos senadores Jader Barbalho e Romero Jucá são emblemáticos. Jader tem um conglomerado forte no Pará, com jornais, TVs afiliadas à rede Bandeirantes, rádios e portais que formam a Rede Brasil Amazônica de Comunicação (RBA).

Jader ocupa cargos públicos desde a década de 60 e também apoiou a carreira da ex-mulher, Elcione Barbalho. Ela vem sendo eleita deputada federal pelo Pará há cinco legislaturas. O filho do casal, Helder Barbalho, também é político e atual ministro da Integração Nacional.

Romero Jucá é senador por Roraima desde 1995 e tem ocupado cargos estratégicos, como ministérios e a liderança no Senado — de Lula a Temer!

A família Jucá controla afiliadas às redes Band e Record, com cerca de 14 concessões de radiodifusão no estado. Ele apoiou as eleições de Teresa Jucá, ex-mulher, para o posto de deputada federal e para prefeita da capital — por seis mandatos. O filho do casal, Rodrigo, foi deputado estadual.

No Sul a afiliada ao SBT no Paraná, “Rede Massa”, cobre todo o estado com cinco TVs e uma rede de rádios. Desde 2008 ela é propriedade do apresentador Carlos Massa, em sociedade com Sílvio Santos.

Os veículos fazem constante propaganda do político Ratinho Junior (PSC), filho de Massa. Ele tem o programa de notícias nas rádios.

Ratinho Junior é deputado estadual, mas está afastado para exercer o cargo de secretário estadual. Foi deputado estadual de 2003 a 2007 e, em seguida, foi eleito deputado federal por dois mandatos consecutivos, entre 2007 e 2014. Pleiteou a prefeitura de Curitiba, em 2012, mas não foi eleito.

O atual ministro da Saúde, Ricardo Barros, é deputado federal pelo Paraná há cinco mandatos. Localizei emissoras de rádio em Maringá, sua base eleitoral, vinculadas à sua família. Ele é casado com a vice-governadora do Estado, Cida Borghetti, e é pai da deputada estadual Maria Victoria.

Observei um sincronismo entre a ascensão política e a posse de mídias, sobretudo de radiodifusão.

O senador mais jovem do Brasil, Gladson Cameli, eleito pelo Acre, teve o apoio do tio — ex-governador Orleir Cameli — e das mídias da família. A Juruá FM foi adquirida após a gestão de governo do tio e já operava há cinco anos na primeira campanha de Gladson a deputado federal. A TV veio em 2009, quando Gladson já era parlamentar. Nos oito anos de carreira que antecederam a ida ao Senado, o político pode contar com essas plataformas para divulgar sua atuação. Cabe destacar que ele integrou a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática no Congresso.

Leia a matéria completa no Viomundo