segunda-feira, 17 de julho de 2017

“Dilma começou a cair quando propôs um ajuste de contas com a velha ditadura”



247 - Em entrevista ao jornal português Público, o professor de Teoria Política e Relações Internacionais, ativista da Frente Popular Brasil, Antônio Roberto Espinosa fala sobre as razões do golpe que derrubou Dilma Rousseff.




Para o ex-guerrilheiro e também jornalista, Dilma começou a cair quando resolveu ajustar contas com a ditadura brasileira. Na entrevista, ele fala sobre o impeachment e a atual crise política brasileira.

"Continuamos a lutar com a velha opressão. Com a velha tradição de um país que se formou sob o colonialismo, que adotou o escravismo, e cuja herança ainda é essa. Nós não chegamos à democracia. Aliás eu penso a democracia mais em termos gregos, a democracia direta, da praça pública, do sorteio, do que a democracia representativa", diz ele.


Para ele, o governo Dilma Rousseff foi o que mais defendeu a democracia, mais do que o de Lula. "Sim. Porque o Lula representou um compromisso com a direita tradicional. O Lula procurou representar o regime do “ganha-ganha”, em que fazia concessões aos de baixo mas onde nunca os de cima ganharam tanto. Ele não precisou de fazer essa escolha, porque havia uma conjuntura internacional favorável. Já a Dilma resistiu ao “ganha-ganha” e procurou privilegiar os de baixo".

Questionado se isso influiu no afastamento de Dilma da presidência, ele diz: "Acho que sim". "A Dilma começou a cair quando criou a Comissão Nacional da Verdade, quando ela propôs um ajuste de contas efetivo, que o governo Lula sempre recusou fazer, com as velhas elites, com a velha ditadura. Ela não propôs sequer a punição, propôs apenas o apuramento [dos crimes cometidos na ditadura militar]. Mas para alguns sectores, isso seria uma antessala da punição".