sexta-feira, 21 de julho de 2017

Enquanto fazem campanha “anti-corrupção”, brasileiros em Miami sonegam impostos


Matéria da Folha de S. Paulo desta semana dá conta de que metade dos brasileiros que possuem imóveis em Miami não declaram bens à Receita Federal.


São cerca de 2.100 “sacoleiros de Miami” e assemelhados que adquiriram imóveis entre 2011 e 2015 e não declararam à Receita. São 44% das 4.765 pessoas que compraram imóveis no estado norte-americano que é destino favorito da pequena-burguesia e burguesia brasileira nos EUA.

Os brasileiros que têm a face voltada para os EUA e o derrière para o Brasil são os que mais gastaram dinheiro comprando imóveis em Miami dentre todos os estrangeiros que negociaram com imobiliárias norte-americanas. Foram cerca de R$730 milhões apenas em 2015.


Aproximadamente 75% das negociações foram fechadas em dinheiro vivo, um meio que torna mais fácil a sonegação. Segundo o jornal, o fisco vai facilitar a vida dos que sonegaram impostos promovendo uma segunda fase do programa de repatriação de recursos. Trata-se de uma espécie de anistia aos devedores. Os advogados consultados pela Folhaconsideram improvável que a União recolha todo o dinheiro.

Fica exposta mais uma vez a demagogia contra a corrupção feita pela burguesia (e repetida como papagaios pela pequena-burguesia). Assim como mais de 200 mil empresários devem o FGTS para oito milhões de trabalhadores, e outros tantos mais devem mais de R$13 bilhões em acordos trabalhistas, a burguesia que foi às compras no mercado imobiliário norte-americano não pretende devolver um centavo aos cofres públicos. E o Estado, dirigido pelos golpistas, pouco se incomoda em deixar de recolher esse dinheiro e devolvê-lo aos trabalhadores.