terça-feira, 25 de julho de 2017

Marcos Valério entregou Aécio e FHC, com provas. E daí?


O publicitário Marcos Valério ganhou os holofotes da mídia ao denunciar o chamado “mensalão petista”, o que gerou grave crise política logo no primeiro mandato do ex-presidente Lula e levou para a cadeia várias líderes petistas – entre eles, o ex-ministro José Dirceu. Já naquela ocasião, ele deixou implícito que o esquema de desvio de verbas para as campanhas eleitorais teve início em Minas Gerais, durante a gestão do cambaleante Aécio Neves. Mas o “mensalão tucano”, que a imprensa venal apelidou marotamente de “mensalão mineiro”, sempre foi abafado. Aos barões da mídia interessava satanizar o PT e blindar os seus serviçais do PSDB. Agora, porém, Marcos Valério parece estar disposto a revelar toda a sujeira do ninho tucano.




Segundo reportagem da Folha deste sábado (22), o publicitário acaba de firmar um novo acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Ela dá detalhes de como funcionou o “mensalão mineiro” e atingiria em cheio tucanos de alta plumagem, como Aécio Neves, FHC e José Serra. “A colaboração com a PF incorpora 60 anexos (relatos de episódios de supostas irregularidades) que haviam sido rejeitados pela Procuradoria-Geral da República e pelo Ministério Público de Minas Gerais. O novo acordo ainda ampliaria a lista de implicados. A delação, assinada neste mês, foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e depende de homologação. Não está claro quais episódios serão considerados e investigados pela PF".


Ainda de acordo com a matéria, assinada pela jornalista Carolina Linhares, o publicitário “escreveu a delação à mão na prisão e teve os anexos posteriormente digitados... Condenado a mais de 37 anos de prisão pelo mensalão, Valério também é réu acusado de operar desvios por meio de suas agências de publicidade, a SMP&B e a DNA Propaganda, para financiar a fracassada campanha de reeleição do então governador mineiro, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Uma planilha assinada pelo publicitário aponta que a campanha recebeu cerca de R$ 10 milhões (R$ 33 milhões hoje) em desvios de estatais como a Cemig, Copasa, Furnas, Comig, Eletrobras, Petrobras, Correios, Banco do Brasil e Banco do Estado de Minas Gerais”.